Vitória (ES), edição de 27 de janeiro de 2006    
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DJ Marlboro: "As pessoas têm de aprender a ouvir, estudar e entender"



Felicia Borges


  
Foto: Divulgação
  
Mais do que um movimento musical, DJ Marlboro - que se apresenta neste final de semana em Guarapari - encara o funk como um movimento social, cultural e uma oportunidade única para muitas pessoas. Em entrevista ao Século Diário ele rebateu os críticos, falou um pouco dos funkeiros e da internacionalização do ritmo.

Se o funk chegou onde está atualmente, venceu algumas barreiras do preconceito e hoje é sucesso também entre a classe média, o DJ Marlboro tem muito a ver com isso. Incansável promotor do movimento desde a década de 70, ele é sucesso na Europa e segue garantindo seu espaço no Brasil.

"Eu sou um dos precursores do funk e dessa mistura de classe, porque o funk não deve ser discriminado. As pessoas têm que aprender a ouvir o funk, estudar e entender. O que é o preconceito? É uma coisa que vem de um conceito feito antes de se conhecer. Falar que não gosta por causa de uma música ou de um artista não dá. Esse preconceito que existe, existia muito mais antes, vai acabar com as pessoas conhecendo e gostando do funk", acredita.

Marlboro se irrita com a opinião de alguns críticos musicais que não enxergam a evolução dentro do funk carioca. "Como não evolui? O funk é um movimento que tem muita transformação. Nunca vi nada igual. Ele consegue abranger toda a diversidade, desde samba, forró, um teclado mais moderno. Não existe nada no Brasil na atualidade mais inovador. O funk modifica muito rápido", diz.

De acordo com Marlboro, a evolução é tão rápida que o próprio Silvio Essinger, autor do livro "Batidão - Uma História do Funk" (editora Record, 2005), disse a ele que quando terminou de escrever o livro, o funk já tinha várias novidades.

Essinger afirma que muito do elemento erótico, pornográfico do funk vem da axé music. Mas Marlboro discorda totalmente disso. "Então vão dizer que o axé é influenciado pelas músicas da década de 40? Que [canta] 'mamãe eu quero mamar' o influenciou o axé? Não tem nada a ver. Nós somos um público sensual. Desde a década de 40 já tínhamos nas letras toda a sensualidade. E nós temos que nos orgulhar disso, não temos que ter vergonha".

Internacionalização

Sobre renovação constante de funkeiros que se vê na mídia, Marlboro não acredita que há uma exclusão dos mais antigos, mas uma falta de maturidade para o sucesso por parte alguns artistas. "Tem que ser música boa. O pessoal que quer renovar, colocar música boa, fica. Não pode ficar no marasmo quando consegue ter sucesso, esperar esgotar uma música para só então lançar outra. Tem que continuar produzindo e lançar outra e outra para se manter. Existe toda uma imaturidade artística dos meninos, que muitas vezes não estão preparados para o sucesso nem para a queda", explica o DJ.

  
Foto: Divulgação
  
No Brasil ainda existe preconceito em relação ao funk, apesar de a classe média já se render ao estilo, processo que no passado também ocorreu com o samba, por exemplo. Mas Marlboro acredita que o sucesso que o ritmo vem fazendo no exterior pode ser positivo para a quebra dessa barreira social.

"Lá fora sou recebido de braços abertos, com tapete vermelho. O funk lá é muito mais respeitado do que no Brasil. A internacionalização está sendo muito boa para o funk. Os modernos, os undergrounds que sempre falaram mal, estão tendo que morder a língua quando vêem os estrangeiros falando tão bem do funk", alfineta.

Show

"Não tenho nada pronto. Se fosse para colocar uma fita, eu não precisava ir lá tocar. O DJ tem que sentir o clima. Se eu soubesse o que vou tocar eu não era DJ, eu era colocador de música". Então tá.

Quem quiser curtir o funk do DJ Marlboro, o show acontece neste sábado (28), a partir das 22h, na Pedreira Adventures Park, Av. Padre José de Anchieta, 39, em Guarapari. Mais informações pelos telefones (27) 3371-2163 e 3361-3177.


 

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