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Foto: Bianca Sperandio
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| Tiradentes recebe diretores de todo o Brasil, sendo dois capixabas
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Passa das onze horas da noite de quarta-feira, dia 26 de janeiro. Estou com Gui Castor num bar em Tiradentes. Assistimos há pouco no Cine-Praça ao documentário "Aboio", de Marília Rocha e ele saiu do filme falando do cantor sertanejo Elomar e de um disco de canções de vaqueiros, chamadas aboios, que herdou dos avós sergipanos.
O documentário mineiro registra em vídeo e super 8 justamente estas toada dos vaqueiros dos sertões mineiro, baiano e pernambucano.
No bar estamos conversando sobre forró. Na avaliação bem pessoal de Gui, Tiradentes carece de um espaço dedicado a este estilo.Por um momento ele pára, então se levanta e anda até uma mesa próxima para escutar melhor o violão que toca Sérgio Sampaio. Eu o provoco dizendo para ele se apresentar como capixaba ao violeiro, mas ele recusa. Mais cedo, quando perguntei se ele se tornara mais um realizador capixaba, respondeu que não. Mas não é o que parece.
Gui está empenhado num projeto de filmagem com o diretor Marcel Cordeiro, do longa-metragem "A Morte da Mulata", e tem participado de festivais com seus vídeos. Em Tiradentes, "Lágrima", vídeo-ficção de quase quatro minutos, será exibido nesta sexta-feira (27) dentro do programa Trans. Gui já teve obras selecionadas para outros três festivais e ele começou a produzir em meados do ano passado quando ganhou uma câmera de presente.
Sem imitação
Gui Castor não conhece Luiza Lubiana, diretora de outro vídeo produzido no Espírito Santo que concorre na Mostra de Tiradentes. Agora ela está numa mesa ao fundo, conversando animadamente com algumas pessoas. O assunto deve ser cinema, um conto que publicou em livro e está vendendo por dez reais ou seu último curta, exibido em Tiradentes.
É o quarto festival de "Manada", que antes foi selecionado para o Festival Internacional de Curtas de São Paulo, Festival Internacional de Curtas do Rio e Vitória Cine Vídeo. O filme foi exibido no programa "Curta a Experiência!", junto com outras obras "estranhas", como resumiu a própria Luiza. "Manada" é a adaptação para o cinema de um conto escrito pela diretora. Assisti ao filme pela terceira vez e só agora prestei atenção em como as imagens ilustram fielmente as idéias e sensações sugeridas pelo texto lido em off ao final, enquanto sobem os créditos.
A diretora defende a obra com empenho e diz que sua arte é completamente original, "vinda de dentro", sem imitação. Luiza também comentou o realismo fantástico e a natureza exuberante como protagonista, características de Manada que podem ser estendidas a seus trabalhos anteriores.
No bar, talvez ela esteja falando do trabalho de captação de recursos para seu próximo projeto, um longa-metragem orçado em um milhão e 800 mil reais, previsto para 2006 ou 2007. O roteiro se baseia na lenda da pedra "O Frade e a Freira" reinventada pela diretora e o filme terá a participação do ator José Wilker e da cantora Elza Soares.
Depois de três garrafas de cerveja, Gui vai para a Tenda, onde acontecem as festas da Mostra. Eu fico aqui esperando terminar a última noite como jornalista num festival de cinema.
Saiba mais!
"Tiradentes aposta no debate sobre cinema"
http://www.seculodiario.com.br/arquivo/2006/janeiro/23/cadernoatracoes/cultura/01.asp
Clique aqui e visite o site do festival
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