Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Acostumada ao cheiro e ao gosto de chocolate, ela
agora se dispõe a enfrentar outros sabores e odores

Pronta para o amargo da vida política





Cristina Moura


"Dignidade não consiste em possuir honrarias,
mas em merecê-las."
(Aristóteles)

Há poucos anos, ela estava sentindo mais de perto o cheiro de chocolate. Era operadora de uma das máquinas que produzem o Serenata de Amor, um dos bombons mais vendidos da marca Garoto. Linda Maria Moraes conheceu de perto a realidade do setor de alimentação, atravessou a transição da fábrica capixaba para os domínios da suíça Nestlé e ganhou uma nova versão para a sua atuação política.

Após vinte anos na vida operária e sindical, especialmente como presidente, além de outros cargos, no Sindicato das Empresas de Alimentação do Estado (Sindialimentação), Linda foi eleita vereadora de Vila Velha. Com uma votação expressiva para quem inicia uma carreira eletiva, ela começou a representar a classe trabalhadora de outra forma, em 2005.

Nesta entrevista, Linda explica por que o seu nome está à disposição do partido para uma vaga no Legislativo estadual, nas eleições deste ano. A fórmula para a disputa, segundo ela, é ainda indefinida, talvez não tão doce quanto o bombom que se habitou a preparar durante vários anos. Mas parte da receita parece que ela tem. Ao se despedir da repórter após a conversa, soltou esta: "Humildade é fundamental, para tudo na vida".

Século Diário: - Qual a sua avaliação sobre o primeiro ano como vereadora de Vila Velha?

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
Linda Moraes: - Considero que 2005 foi um ano de sucesso. Cheguei na Câmara sem nenhuma experiência político-partidária. Eu já tive experiência sindical, experiência de vinte anos de trabalho com a classe trabalhadora, a classe operária. Claro, ao chegar no parlamento cheguei um tanto assustada, preocupada, mas consegui elaborar ótimos projetos, criar projetos visando realmente à população de Vila Velha, como um todo.

- Parece que a senhora, mesmo sendo ligada ao setor sindical de alimentação, abriu mais o leque de assuntos durante o primeiro ano...

- Eu tenho uma história sindical, uma história voltada para a classe trabalhadora, mas, junto com a assessoria, criei projetos que visassem à população de Vila Velha, não só ligados aos trabalhadores, mas à educação, ao meio ambiente... Temos a preocupação de elaborar projetos que tragam, de alguma forma, retorno ao meio ambiente. Elaboramos projetos nessa linha, mas outros, claro, pensando nos trabalhadores, como o selo da 'empresa cidadã'. Fomos além do que esperávamos, além do meio sindical.

- E no Estado? Como é que, na sua avaliação, o quadro das eleições de 2006 já começa a ser construído?

- Bem, para este ano ainda estão muito indefinidas algumas coisas. Dentro do partido, temos aí possivelmente a candidatura do Cláudio (Vereza) para o governo do Estado. É um nome que a gente acredita. É uma pessoa séria, que tem história dentro do partido. E o partido ainda vai discutir a possibilidade de nomes, outras candidaturas.

- A candidatura é real ou existe a possibilidade de construir uma aliança com o governador Paulo Hartung?

- Há possibilidade, sim, de Cláudio ser candidato mesmo, mas ainda está tudo indefinido no Estado. Além de Cláudio, não há a definição de outro nome para contar com o apoio do partido. Não há também uma idéia de coligação concreta.

- E a possibilidade de caminhar pela oposição ao governador?

- Isso ainda não se desenha dentro do partido. Acho que a coisa concreta, atualmente, é a candidatura de Cláudio. Quanto à oposição, acho que é um assunto para ser discutido dentro do partido, sobre qual o melhor caminho para o partido dentro do Estado. Cláudio demonstrou ser o melhor nome, demonstrou sua atuação enquanto presidente da Assembléia, com um trabalho sério, um trabalho de reconstrução daquela Assembléia, é uma pessoa que tem uma história, não só em Vila Velha, como no Estado do Espírito Santo, é uma pessoa que o partido respeita, é unanimidade o nome dele.

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
- Na sua avaliação, o governador Paulo Hartung será candidato à reeleição ou ao Senado?

- Olha, esta é uma pergunta que, com certeza, só ele mesmo poderia responder, mas eu acredito que o governador Paulo Hartung é bem visto no Estado. Até agora fez um bom governo, as pesquisas mostram isso. Então, acredito que ele possa sair como candidato à reeleição. Mas acho que é uma pergunta que caiba a ele. Até abril ele pode estar definindo, no sentido pessoal também, embora eu acredite que ele vá avaliar bem o cenário e, se for ao Senado, quem seria a pessoa para certa para substituí-lo... Mas eu acho que isso cabe a ele responder. Pode ser que ele tente se reeleger.