Vitória (ES), edição de 31 de janeiro de 2006    
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Dennise Pontes: novo CD, nova pessoa



Felicia Borges



  
Foto: Divulgação
  

Dennise Pontes é cantora, percussionista e compositora. Há 18 anos ela começou tocando na noite capixaba, depois participou do quarteto feminino Miss em Scène e, em 99, lançou seu primeiro trabalho na carreira solo, buscando mais a sua identidade. Agora, Dennise retorna com um novo disco, marcando fortemente a sua essência.

"Eu falo que o meu trabalho é MPopBSamba, uma mistura das coisas que eu fiz na minha música. MPB, samba e o pop, que é no sentido do folclore, uma linguagem que pode estar numa música de um outro país, esse encontro que vai dar uma harmonia", define.

No disco, "Dennise Pontes", lançado em outubro de 2005, no Teatro Glória, em Vitória, a cantora capixaba aparece como compositora em doze das treze faixas. "O meu primeiro trabalho começou com o ar e nesse eu busquei muito o fogo, a terra, a água, fazendo uma junção dos quatro elementos. Eu acho que é um disco que marca uma identidade mesmo, que busca esse elo entre eu e meu público", explica.

Esse meio tempo entre o lançamento do primeiro CD, "Atmosfera Clara", em 1999, e o novo disco, Dennise passou estudando, fazendo composições, elaborando o novo trabalho, ao mesmo tempo em que captava recursos para viabilizá-lo e cantava pelo Estado e fora com "Atmosfera Clara". Entre gravação, escolha de repertório e arranjos, junto com o produtor, Amaro Lima, passou um ano.

"Mexendo mesmo com os elementos, eu estava a fim de saber um pouco dessa coisa dos sentimentos humanos, mas buscar isso na natureza, nos arquétipos. De uma forma geral, falar dos sentimentos humanos de forma que eu possa ter esse encanto com o meu público. Tem as comparações, que eu acho completamente tranqüilas e naturais, porque a gente acaba tendo as referências", fala.

Influências

Dennise Pontes busca inspiração para o seu trabalho na Bossa Nova, Tom Jobim, João Bosco, Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Noel Rosa, Cartola, Monsuelo, samba de raiz e alguma coisa de folclore também. "Eu faço uma música que é diferente, criada por mim, até porque a gente é único, e eu nem quero fazer igual. Eu acho até que tem linhas que você vai achar legal, mas aquilo ali você vai transformar, tem que ter criatividade para está podendo fazer um outro, ser vanguarda", pensa.

Em "Dennise Pontes" a cantora fala de outros países e de outros povos, uma coisa que a fascina. "Eu escuto muita música do mundo inteiro, e obviamente que a gente tem essa coisa de estar captando, estar entendendo a cultura, a geografia. Tem uma música que eu canto em espanhol, que veio quando eu estava fazendo a letra, e de repente eu falei 'eu quero fazer isso aqui em espanhol'. Eu não sabia espanhol, mas eu fiz mais ou menos e fui estudar, fui buscar com uma professora, entender o que era. Isso agrega na minha musicalidade, na minha forma de ter um pouco mais de sensibilidade, abrir minha cabeça para a cultura, para destituir do preconceito", acredita.

Outra referência extramusical que ela faz logo na primeira faixa do disco é ao pintor Monet, por quem ela se diz apaixonada, por sua alegria e suavidade. "Pintura, personalidades, o contexto de uma obra, arquitetura, literatura. A gente pode usar de todas as informações na música. Eu tenho uma música que fala de Clarice Linspector, por exemplo. O ser humano de uma forma geral. De repente um cara que está vendendo o quebra-queixo, batendo aquela rodinha, eu acho aquilo ali impressionante, aquilo ali para mim é um musical", diz.

Formação musical

A relação de Dennise com a música começou cedo, em casa, com a mãe que tocava piano, a avó tocando violino e piano e outros familiares sempre cercados dessa atmosfera. O início da carreira na noite ao lado da cantora Waleska Santos foi um busca pela identidade. Tocando de tudo um pouco ela pôde conhecer e aprender para estar fazendo a própria música.

"Quando eu comecei foi tocando em barzinho, tocava muita coisa e eu acho que foi muito importante para desenvolver a musicalidade. A noite ajuda bastante. Primeiro porque eu não sabia nem pegar no microfone direito. Tudo é medo, você entra para um campo profissional, você começa a ter uma experiência. Quando eu fui trabalhar em barzinho eu fui cantar para atingir exatamente a minha identidade. Eu quero que as pessoas vão lá assistir ao meu show, porque não vai estar lá assistindo Zélia Duncan ou Marisa Monte. Eu adoro elas, mas elas já têm o trabalho delas, eu estou fazendo o meu, o meu trabalho", lembra.

Dennise lembra do Miss em Scène, grupo com o qual chegou a lançar dois discos entre 1992 e 1997, ao lado de Kátia Brinco, Simone Itaboray e Daniela Moraes, e recebeu o Prêmio Guananira, em 1997, na categoria de melhor intérprete, como uma experiência boa, mas onde era preciso dividir o trabalho com mais três pessoas. "Eu não fazia um trabalho eu mesma, não que não fosse eu também, mas eu queria ter mais liberdade e eu parti mesmo para uma coisa de mais identidade. Essa coisa mesmo de ser senhora do meu trabalho. Nessa questão da criação existe um processo meio que solitário, uma solidão muito boa. Eu preciso dessa solidão, inclusive, para está compondo".

  
Foto: Divulgação
  
Ela reconhece que algumas mudanças foram acontecendo com o tempo de experiência, coisas positivas para o seu trabalho. "Na verdade eu fui amadurecendo como cantora, como compositora, eu acho que não foi uma coisa assim, fiz, já fui e estou aqui, não. Eu acho que foi uma coisa de labuta, de disciplina, de conhecimento, de estrada. A própria andança da gente, eu já fui pra outros lugares e isso me deu uma bagagem de vida, e isso com certeza tem na minha música. Não que seja uma autobiografia, é claro".

Para Dennise, a cena musical capixaba tem evoluído e as pessoas têm dado mais abertura à música. "Queria que o Espírito Santo pudesse ter essa abertura maior para a gente que faz música, porque a gente precisa de grana, a gente precisa de um incentivo, e isso requer todo um investimento", lembra.

"As rádios estão começando a dar abertura, mas eu acho que pode ser mais. Precisa abrir centros culturais, abrir casas de show, mas o Estado e a prefeitura têm feito muita coisa de programação de eventos, mas entretenimento e cultura nunca são demais. Para o povo é sempre uma fonte de informação, de abertura, de coisas boas, para as pessoas abrirem a cabeça, crescerem. E para botar o capixaba mesmo para está discutindo, para está avaliando, tendo o discernimento do que é joio e do que é trigo, o que você gosta e o q você não gosta também", fala.

Saiba mais!

Clique aqui e confira a crítica do disco "Dennise Pontes"


 

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