Vitória (ES), edição de 31 de janeiro de 2006
 
GRCO decide entrar na investigação
sobre o assassinato de trocador


Paulo Rogério

"Se não tivermos a reação que necessitamos novas paralisações irão ocorrer sim", afirmou o presidente do Sindirodoviarios, Edson Bastos. O discurso já surtiu efeito. A Secretaria de Segurança (Sesp) abriu canal de comunicação com os rodoviários nesta terça (31), mesmo dia em que o Ministério Público Estadual (MPE) anunciou que o GRCO também investigará o assassinato de um trocador.

O Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO) abriu frente para investigar o assassinato de Farlane dos Anjos Nascimento, 23 anos, em Alto Laje, Cariacica. O trocador foi assassinado por um homem que teve o retrato-falado divulgado pela Polícia Civil, na noite desta segunda-feira (30).

Na tarde desta terça-feira (31), o secretário de Estado da Segurança e Defesa Social (Sesp), Evaldo Martinelli, recebeu representantes da diretoria e da base do Sindicato dos Rodoviários do Espírito Santo (Sindirodoviarios-ES). Os sindicalistas disseram que vão se pronunciar após o encontro com o secretário.

"Temos um encontro com o secretário, nesta tarde (31). No fim do dia deveremos ter algo mais concreto sobre a postura da categoria nos próximos dias", comentou Bastos.

O procurador-geral de Justiça do Espírito Santo, José Paulo Calmon Nogueira da Gama, designou o promotor de Justiça Otávio Guimarães de Freitas Gazir para acompanhar as investigações sobre o assassinato do trocador de ônibus. O MPE, junto à Polícia Civil, investigará para saber se o crime está ligado a fatos precedentes que envolveram o Sindirodoviarios. A diretoria elogiou a iniciativa.

Farlane dos Anjos foi morto com três tiros na cabeça, em serviço, na manhã do domingo (29), e foi enterrado no final da manhã desta segunda (30). O crime gerou revolta entre os colegas de trabalho e mesmo entre alguns usuários. Houve depredação de 27 veículos, paralisação e ônibus circulando de graça para os usuários - mas com muito atraso em diversas linhas.

Sobre os prejuízos causados aos usuários nos últimos dias, o MPE solicitou que o sindicato "se abstenha de promover ou motivar protestos (..)". Caso o sindicato não cumpra a recomendação, o MPE vai ingressar com ação civil pública.

"Em caso de nova paralisação dos rodoviários vamos reunir os promotores envolvidos nesta recomendação. Antes de qualquer iniciativa temos que analisar tudo com calma. Antes de qualquer medida precisamos de uma contra-resposta tanto do sindicato como da Ceturb", informou a promotora Valéria Barros Duarte Morais, da Vara do Consumidor.

O Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos do Consumido (Cadc) não recebeu qualquer ofício, até a tarde desta terça-feira (31), nem do sindicato - em resposta oficial à notificação - nem da Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb), orgão que gerência o Sistema Transcol - para obter informações mais concretas quanto ao prejuízo dos usuários.

"Somente com a contrapartida dos dois podemos ter uma orientação mais definida sobre o que fazer e quando fazer. O órgão e o sindicato têm um prazo a cumprir ainda", disse a dirigente do Cadc, promotora Sandra Lenguber.

O presidente do Sindirodoviarios afirmou, porém, que, caso não obtenha uma reação rápida e eficaz das autoridades - quanto à falta de segurança - os motoristas e cobradores podem repetir as manifestações nesta ou na próxima semana. A possibilidade de ser acionada por uma ação civil pública parece não intimidar a diretoria do sindicato.

"O Ministério Público tem que fazer o trabalho dele, da mesma forma que o sindicato faz o seu para a categoria. Eles (promotores) não estão errados. Mas se não tivermos a reação que necessitamos novas paralisações irão ocorrer sim", afirmou Bastos.