Vitória (ES), edição de 31 de janeiro de 2006

CPI do Grampo muda foco e cria
expetativa em torno do relatório



Renata Oliveira


A expectativa em torno do relatório da CPI do Grampo cresce a cada depoimento. Mas, ao que parece, os membros da comissão estão novamente mudando o foco das apurações, abandonando, assim, diante da dificuldade em ter acesso a documentos, as investigações sobre as três interceptações feitas na central telefônica da Rede Gazeta.

Os deputados anunciaram nesta segunda-feira (30), na última reunião do grupo antes do recesso, que iriam passar a investigar o contrato da Assembléia com uma empresa de vigilância e a utilização do equipamento de monitoramento interno que será instalado nos corredores da Casa, voltando assim sua artilharia para o Legislativo.

Esta não é a primeira vez que a comissão muda o foco de suas investigações. Partindo do ponto da aquisição de aparelhos de escuta, o primeiro alvo dos deputados foi o Ministério Público Estadual (MPE). Em reuniões, às vezes secretas, foram ouvidos procuradores e os responsáveis pela compra e operação do equipamento.

Em meio às explicações estritamente técnicas fornecidas pelos depoentes, a comissão começou a se perder. Quando ameaçava cair no esquecimento da opinião pública, os deputados ganharam de presente um novo tema: o grampo na Rede Gazeta.

Depois de ouvir depoimentos contraditórios e explicações nada convincentes das operadoras de celular, os deputados começaram a reclamar da falta de liberdade para trabalhar. Insistem que o relatório irá sair, mas diante do novo rumo das investigações, começa a ficar distante a certeza de um relatório consistente.

As expectativas em torno do relatório final do deputado Euclério Sampaio (PDT) são muitas. Se ele abordará todos os temas ou se vai se concentrar em um só; se será um relatório político ou técnico; se vai esclarecer os pontos ou não - isto só o futuro dirá.