Gol de placa




Antônio Carlos Medeiros
é administrador e cientista político

Deu na Revista Época: "os governos de Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo fecharam acordo para, a partir de 2007, enviar projetos de orçamentos únicos, reunindo suas bancadas em torno de projetos regionais de desenvolvimento". (ÉPOCA, 12/06/06). É, sem dúvida, em tempos de Copa do Mundo, um gol de placa dos governadores destes três estados.

Juntos, conforme a própria Época informa, os três estados formam um PIB de US$ 100 bilhões e, se formassem um país, este país teria um dos maiores rebanhos do planeta, seria um dos maiores produtores de soja e extração de minério e teria três dos maiores portos do continente, com logística privilegiada.

Para o Espírito Santo, em particular, esta estratégia de atuação política supra-estadual da bancada federal, faz com que o estado ganhe musculatura política. Praticando a máxima popular: "quem não é o maior, tem que ser o melhor".

No plano econômico , a formulação de projetos de amplitude regional para o orçamento federal, poderá induzir ganhos de escala e de agregação de valor para o três estados. Poderá fortalecer a importância do chamado Corredor de Transportes Centro-Leste, bem como expandir a silvicultura, o agronegócio em geral, e o turismo, por exemplo. Resultando em maior competitividades para os três estados.

No plano político, a atuação conjunta das três bancadas em projetos regionais vai ampliar a importância do estado do Espírito Santo na federação, fazendo com que ele tenha uma "bancada virtual" bem maior do que a sua bancada real de 10 deputados federais e 3 senadores. Assim, coloca-se em prática a recorrente bandeira dos governadores Aécio Neves e Paulo Hartung, no sentido de "refundar" a federação brasileira.

A idéia pode ser aprimorada se os três governadores articularem, também, a entrada do Distrito Federal na formação deste Bloco Regional. Com a maior renda per capita do Brasil, o Distrito Federal adicionaria mercado consumidor e peso político ao Bloco Regional.

Do ponto de vista do estado do Espírito Santo, aliás, não é importante a especulação de que esta aliança entres os três estados já seria parte da estratégia do governador Aécio Neves para lançar sua candidatura à presidência da República em 2010.
Para o Espírito Santo, mais importante do que isto, é o fato de que a atuação em Bloco Regional - agindo em cooperação com parlamentares de outros estados, com outros governadores e com lideranças empresariais, sociais e culturais - vai dar mais peso político ao Estado. Neste sentido, é realmente um gol de placa.

Agora, é necessário arregaçar as mangas e dar formato operacional ao Bloco Regional. Começando por definir quais serão os primeiros projetos comuns e como eles serão apresentados para constar no Orçamento Geral da União.

Esta preocupação com a operacionalização da idéia é importante. Como se sabe, "o diabo mora nos detalhes". E o detalhe pode matar uma grande idéia. Pode matar, por exemplo, no caso, se a operacionalização caminhar apenas para a apresentação de Emendas ao Orçamento. Seria muito pouco.

O grande efeito desta idéia é que a inserção de projetos regionais no Orçamento Geral da União poderá, muito mais do que a eventual apresentação de meras Emenas Orçamentárias de varejo, criar o embrião de um Bloco Regional de formação e desenvolvimento de Parcerias Público Privadas.

Parcerias que poderão ter efeitos econômicos pertinentes e, principalmente, que darão maior peso político aos três estados. Onde o todo poderá ser maior do que a soma das partes.