Silêncio inexplicável




Caetano Roque da Silva


O Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal), bem como os demais sindicatos e as centrais sindicais, em especial a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ficaram calados quando a Arcelor comprou a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST). Agora vem a Mital, o maior aglomerado de siderurgia do mundo, e compra a Arcelor. E os metalúrgicos e a CUT permanecem calados.

É um silêncio inexplicável. Coloca em risco a própria economia do Espírito Santo. A CST tem quatro mil trabalhadores diretos e cinco mil terceirizados. Ninguém sabe mais o destino deles. Os donos agora estão do outro lado do mundo. Se quando estava perto não era bom, distante então... Imaginem o que não está passando agora pelas cabeças dos metalúrgicos capixabas.

O Espírito Santo tornou-se no processo um mero quintal industrial de uma empresa transnacional. Com a gravidade de ela passar a ser monopolista da siderurgia no mundo. Em princípio, a gente pode pensar que o seu produto vai influir nos seus derivados, como automóvel, geladeira, fogões e etc. Pois os monopólios geram esses aumentos absurdos.

Agora, do ponto de vista do trabalhador, é o prenúncio de dias piores. Se com a CST e depois com a Arcelor, a mão-de-obra foi para a informalidade, imaginem com um dono à distância e integrante do capitalismo selvagem. Hoje, a CST já conta com mais trabalhadores terceirizados do que diretos.

Também não dá para entender as entidades patronais e o governo do Estado, se manterem à parte. Tão omissos como o Sindimetal e a CUT. E olha que o Espírito Santo é governado por quem tem sensibilidade e condições de entrar nessa discussão.

Mas a minha tarefa, aqui, em Século Diário, é cobrar o papel das entidades que representam os trabalhadores. Neste caso, tenho absoluta convicção de que os metalúrgicos da CST são as próximas vítimas desse processo. Seus empregos vão estar longe da ingerência do Estado, decididos em outro lugar do mundo.

Acorda sindicato dos Metalúrgicos!

Acorda CUT!