Rodoviários acima da lei




Como se já não bastasse a greve dos rodoviários que deixou mais de 670 mil pessoas sem transporte, entre usuários do Transcol e sistemas municipais, além da estratégia da Ceturb de privilegiar as linhas troncais e deixar os bairros sem ônibus, agora a população da Grande Vitória assiste de camarote, ou melhor, de van clandestina, ao desrespeito de uma decisão da Justiça do Trabalho proferida na última quinta-feira (29).

Ela é descumprida como se o Brasil fosse uma "republiqueta" de bananas, sem leis e sem quem faça com que elas sejam cumpridas. Aparentemente, nem 30% da frota rodou nesta segunda-feira (3), e olha que a ordem judicial determinava que 50% do sistema funcionasse.

A Companhia de Transporte Coletivo da Grande Vitória (Ceturb-GV) já avisou que denunciará o Sindirodoviarios ao Ministério Público do Trabalho e que tomará providências para normalizar a situação e garantir o transporte da população. Resta saber que providências serão essas, já que a população não confia há muito tempo no sistema metropolitano de transporte e percebe nitidamente que o Estado não tem o controle da situação.

E mais uma boa notícia para os usuários de ônibus da Grande Vitória. O dissídio coletivo não será mais na terça-feira (4) e sim na quarta-feira (5). Isso quer dizer que seremos brindados com pelo menos mais um dia de greve e caos no trânsito.

No mais, a Ceturb-GV continua priorizando apenas as linhas chamadas troncais, aquelas que levam os passageiros de um terminal para o outro, deixando os passageiros à mercê da sorte, ou melhor, dos pés e das vans clandestinas para chegar em casa e no trabalho. Agora nem sabemos se é a Ceturb que prioriza ou os próprios grevistas, já que aparentemente o sistema está nas mãos deles e não de sua gestora, a Ceturb-GV.

Continuamos assistindo a uma maquiagem. Fica uma sensação de que muitos ônibus estão circulando, quando na verdade não há ônibus nos bairros e nem passageiros para embarcar nos que funcionam, já que a preferência foi dada apenas às linhas troncais do Transcol.

É sempre assim: os rodoviários querem aumento, o que é justo, e os empresários querem aproveitar para elevar o valor da passagem, e quem paga o pato é a sociedade. Paga duas vezes, durante a greve e depois, quando vem o aumento na passagem responsável pelo fim da greve.

Continuamos esperando que o governo do Estado consiga mais uma vez intermediar as negociações entre o sindicato da categoria e os empresários, uma vez que o bom senso parece, cada vez mais, ser uma virtude não conhecida por ambos os lados.

Em respeito aos capixabas.