Esporte por Esporte - Vilões




Renato Paoliello




A seleção brasileira venceu quatro jogos e perdeu apenas um, mas perdeu a Copa do Mundo e seus craques viraram vilões da noite para o dia. Uma grande injustiça culpar talentos individuais pela falha do conjunto. Na pura filosofia de banheiro, a derrota faz parte do jogo, mas o massacre dos amigos da Globo é questionável.

Na verdade, dura e cruel, não estava querendo escrever esta coluna da forma que estou fazendo. Defender a Seleção Brasileira é uma missão quase impossível, só que em defesa da justiça, também não podemos ficar omissos, vendo a grande imprensa, que durante muito tempo elogiou os favoritos, agora penaliza duramente os derrotados.

Zidane, mais uma vez o nosso carrasco, tem que ser aplaudido de pé. Um gênio com a bola nos pés. Um cavalheiro em campo, que com a experiência de um veterano conduziu a seleção da França para uma vitória espetacular. Deu um show, brindou a torcida com dribles mágicos e hipnotizou os favoritos do mundo. Coisas do futebol.

Bola prá frente. Ganhou o melhor e não adiantar chorar, não adianta hostilizar nossos craques. É muito feio, é até imoral, perceber que a mesma imprensa que idolatrou nossos jogadores, agora, é a mesma que esmaga, pisa no pescoço e inflama a torcida. Têm muitos colegas colocando lenha na fogueira.

Não quero citar nomes, mas a Seleção Brasileira ainda é um celeiro de craques. O nosso futebol é diferente, é mágico, é contagiante. Foram muitas vitórias consecutivas e não podemos avaliar toda uma história só por uma derrota magra de 1 x 0.

A comissão técnica também teve muitos acertos nesta Copa do Mundo, mesmo com alguns erros, manteve uma boa regularidade de decisões equilibradas e certas. Durante as vitórias, Parreira era um gênio, depois da derrota, mais uma vez, voltou a ser burro.

A torcida brasileira, além de muito exigente, é cruel. A paixão é um desequilíbrio que leva a sentimentos extremos. Temos de deixar de lado, urgentemente, esta paixão pelo futebol e tratar o esporte com os pés no chão, com razão e serenidade.

A torcida também tem sua parcela de culpa pela derrota da nossa seleção. É só fazer um exame de consciência, examinar direitinho para comprovar se realmente somos torcedores ponderados e justos com os nossos ídolos.

O Brasil não precisa de vilões fabricados pela mídia. Afinal, futebol é apenas futebol. Perdemos hoje, mas ganharemos amanhã. Sem excessos, somos torcedores e não fanáticos. E o jogo continua, sem favoritismo.

Violência

Uma estátua com 7,25 metros de altura, em homenagem a Ronaldinho, instalada na Avenida Getúlio Vargas, na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, foi queimada e totalmente destruída por vândalos fanáticos.

O melhor do mundo deixa a Copa do Mundo com a imagem, literalmente, queimada.

Globo

A exclusividade da transmissão da Copa do Mundo pode ser uma faca de dois gumes, pois a emissora vira referência e acabam sobrando para ela os respingos do fracasso.

Leila Cordeiro, de ressaca, criticando os exageros da TV Globo.

Lucas

O piloto capixaba Lucas Schowambach, 22 anos, ficou em quarto lugar na 4ª etapa da Stock Car V 8 Light, disputada em Interlagos.

Lucas é dedicado e busca um lugar mais alto no podium do automobilismo nacional.

F-1

Michael Schumacher venceu o GP dos EUA, disputado no circuito de Indianápolis, e manteve o campeonato aberto. O alemão quebrou uma seqüência de quatro vitórias de Alonso na temporada.

Alonso terminou a prova em quinto lugar e, de forma inédita na temporada, não fica entre os dois primeiros colocados. Além disso, o espanhol teve quebrada uma seqüência de 15 pódios.

Pelé

Pelé espera que a derrota diante da França sirva de lição para o futuro. O ex-craque afirmou que a pressão psicológica complicou a participação da seleção brasileira desde antes mesmo do início da Copa.

Mesmo não sendo vidente, Pelé lembrou que havia dito, antes da Copa, que quando uma equipe é tão favorita quanto o Brasil para esta Copa, o time "nunca chega à final".

Felipão

"Ão, ão, ão, queremos Felipão", entoava em coro um grupo de torcedores brasileiros.

Comemoremos a saída honrosa do Brasil desta Copa do Mundo. Exaltemos a beleza do futebol de Zinedine Zidane. Enlevados pelo prazer do futebol, voltamos nossos olhos e opiniões para a grande final da Alemanha. (Marcelo Carvalho Sant Anna - Por e-mail)


Trocatroca com a coluna: rmpaoliello@uol.com.br