Este fim de semana, Século Diário interrompeu a série de entrevistas com lideranças políticas para ouvir o coordenador da ONG Transparência Capixaba, o promotor de Justiça Leonardo Barreto (foto). Mas o assunto não mudou. Com a função de fiscalizar a atuação dos políticos capixabas, Barreto fez um apanhado do cenário eleitoral apresentado até o momento no Estado.
O promotor disse que o Estado tem muito a evoluir. Lembrou que a oposição capixaba é desarticulada e que, às vezes, é de conveniência. Neste sentido, afirmou que o governador é "soberano", pois consegue neutralizar todas as afinidades com a oposição. Além disso, concentra em sua volta os poderes e os órgãos públicos.
Por isso, o promotor acredita que a eleição poderia ser mais democrática, mais disputada. Mesmo assim, mostrou-se satisfeito com as duas candidaturas colocadas - do governador Paulo Hartung, disputando a reeleição, e a do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, com uma candidatura alternativa. Mas lembra que é preciso tomar cuidado com as promessas de campanha.
"Nós precisávamos realmente de um Código Eleitoral que desse mais suporte, como o Código do Consumidor. Como se pudéssemos cassar ou afastar, mais adiante, o candidato que, porventura, faça uma promessa difícil de cumprir e se eleja, ou se reeleja, em cima dessa proposta. Nós tivemos uma dificuldade aí, uma controvérsia com relação ao prefeito João Coser (PT), no que se refere ao metrô de superfície, que até hoje é uma incógnita, se vai ser construído ou se não vai ser, se há viabilidade econômica ou se não há, e que, estrategicamente, redundou numa votação... Incontestavelmente! Então, o que a Transparência cobra e o que procura defender é que os candidatos apresentem as propostas mais claras possíveis: como fazer, de onde vem o dinheiro, em quanto tempo vai fazer", argumentou.
Sobre os financiamentos de campanha, o coordenador da Transparência Capixaba diz que é preciso haver uma moralização na manipulação desses recursos. Para ele, o perigo não é o financiamento de campanhas por empresas e sim que algumas empresas apostam nos candidatos, como se estivessem numa corrida de cavalos.
"Quem tem melhor chance, elas (as empresas) botam mais dinheiro, o que é lamentável. Então, sobre essa questão, o que precisávamos ter era o fortalecimento dos partidos políticos. As verbas arrecadadas deveriam ir para os partidos políticos. Enquanto não tivermos partidos políticos fortes, independentes e fortes, a democracia vai sempre estar correndo o risco de ser abalada. Embora tenha limitações para doação de campanha, quem ficar com mais dinheiro vai sempre ficar com a vantagem. Natural".
Em relação ao Legislativo, o promotor lamentou a forma como são utilizados os recursos da Casa, como por exemplo, o aluguel de veículos que não são identificados e que podem estar sendo usados para outros fins que não o de servir ao mandato de deputado. Também disse que a ONG está atenta à tentativa dos deputados acusados de envolvimento em um esquema de desvio de verbas na Assembléia de se reelegerem.
"São acusados de usar indevidamente o dinheiro público, concorrem à eleição e correm o risco de se eleger! O papel da Transparência Capixaba é procurar afastar os políticos que tenham problemas na vida pública e, por isso, nós montamos, junto com a OAB, a Federação das Indústrias, a Federação do Comércio e mais algumas outras instituições, uma rede, tentando fazer com que essa questão da Assembléia seja apurada. Todo poder público precisa de fiscalização", argumentou.
|