A ida para o trabalho dos moradores da Grande Vitória voltou a se complicar na manhã desta segunda-feira (3). Terminais fechados, ônibus lotados, vans clandestinas e espera, muita espera. A Companhia de Transporte Urbano da Grande Vitória (Ceturb-GV) não conseguiu garantir que 50% da frota circulasse e agora denunciará o Sindirodoviarios ao Ministério Público do Trabalho, por descumprimento de ordem judicial.
Nesta manhã, a situação era pior em Cariacica. Rodoviários posicionados na BR-262 impediam que ônibus do Sistema Transcol chegassem aos terminais, o que deixou passageiros que pagaram a passagem sem embarcar e ilhados dentro dos terminais de Itacibá e Campo Grande.
Os pontos ficaram lotados por toda Grande Vitória, já que nesta segunda as pessoas parecem ter resolvido andar até as avenidas para utilizar as linhas troncais, privilegiadas na oferta dos poucos ônibus que circularam. Mesmo assim, as vans andavam cheias e os táxis faziam lotação durante toda a manhã.
A partir das 9 horas, a maioria dos ônibus já andava vazio, muitos terminais não funcionavam, as linhas de dentro dos bairros eram inexistentes e muitas pessoas já tinham desistido de esperar.
O Sindirodoviarios acusou a Ceturb de fechar os terminais na manhã desta segunda, mas a assessoria de comunicação da Companhia nega a acusação e informa que não deu ordem para fechar terminal algum. Pelo contrário, afirma que os grevistas obstruíram as entradas dos terminais e impediram que ônibus e passageiros tivessem acesso às suas áreas internas.
Em Vila Velha, os terminais de Vila Velha e Ibes ficaram fechados por alguns instantes, mas foram reabertos. Em entrevista ao ESTV 1ª Edição, o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Espírito Santo (Sindirodoviarios-ES), Edson Bastos, disse que a determinação judicial está sendo cumprida e que apenas em Cariacica ocorreram problemas.
Mas não é isso que se sente nas ruas. Há uma visível sensação de descumprimento da decisão da Justiça do Trabalho, que determinou na quinta-feira (29) que os rodoviários circulem com pelo menos 50% dos ônibus, em toda a Grande Vitória. O descumprimento desta e outras determinações estão sujeitas à multa diária no valor de R$ 30 mil, revertidos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), contra o Sindirodoviarios, que organiza o movimento de greve. A situação nesta segunda parece ser muito mais caótica que na sexta-feira (30), quando 30% da frota estava em circulação.
A decisão de colocar 50% da frota em circulação foi da juíza do Trabalho, Denise Marcico Couto. A Justiça foi provocada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-ES).
Além do número reduzidíssimo de ônibus em circulação, de sua ausência dentro dos bairros e da lotação dos que passavam, muitos andavam com as bandeiras brancas, sem indicação do destino ou com placas dando letras ao itinerário, como por exemplo "Sentido B".
O GV-Bus, sindicato das empresas de ônibus, informou que as passagens das pessoas que entraram nos terminais e não conseguiram embarcar, serão devolvidas.
Em Vitória, o sistema municipal, responsável pelo transporte de 170 mil pessoas diariamente, funciona com 50% da frota de acordo com a Secretaria Municipal de Transporte (Setran), gestora do sistema. De acordo com o coordenador de Planejamento Operacional da Secretaria, Heleno Barros das Neves, aconteceram problemas localizados com algumas empresas que disponibilizaram 48% da frota, o que já foi resolvido.
Outros problemas só serão conhecidos após o fechamento da bilhetagem eletrônica, mas o sistema funciona dentro da determinação judicial e com as limitações que a redução da frota impõe, como a superlotação e a demora. Ainda de acordo com Heleno, alguns rodoviários tentaram impedir a saída de ônibus das garagens, mas o problema foi contornado.
Negociação
Uma audiência conciliatória realizada nesta sexta entre empresários e trabalhadores ficou no impasse. Diante do fato, o vice-presidente do TRT, Juiz José Luís Serafim, decidiu marcar para esta terça-feira (4) um dissídio coletivo às 11h30. Nesta reunião a palavra final e decisiva será da Justiça, que de posse da proposta dos empresários e das reivindicações dos trabalhadores, tomará a decisão. Após isso, as partes são obrigadas a acatá-la, além de normalizar os serviços. Até lá, a situação do transporte não deve se modificar muito na Grande Vitória.
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