Vitória (ES), edição de 03 de julho de 2006

Sindicato denuncia irregularidade
no banco de horas da Coca-Cola



Paulo Rogério
Foto capa: Arquivo Século


A acusação acima foi feita por empregados da fábrica da Coca-Cola, em Cariacica, ao Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação (Sindialimentação-ES). A entidade denunciou ao Ministério Público do Trabalho (MPT-ES) que "a empresa não cumpriu o combinado, o que levou os trabalhadores a votar, em assembléia, pela rejeição do sistema, que consideram cruel e prejudicial à saúde".

Os empregados ultrapassam a jornada de 44 horas semanais e não são remunerados com pagamento em dinheiro pelas horas extras. De acordo com a coordenação da secretaria de Bebidas do Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação (Sindialimentação-ES), a jornada semanal da maioria dos trabalhadores acumula uma média de 84 horas de serviço - cerca de 12 horas por dia.

A coordenação avaliou que os que mais sofrem com o sistema são os auxiliares, técnicos de manutenção e operadores que trabalham direto com a produção de refrigerantes. Estes cargos representam entre 70% e 80% dos 180 funcionários.

O sindicato questiona o sistema adotado pela fábrica do grupo Rio de Janeiro Refrescos LTDA, alegando que o programa não impõe limite de jornada, o fato de empregados não serem poupados em sábados, domingos ou feriados, (alguns já teriam atuado de segunda a segunda), de não favorecer a geração de empregos, além da posição unilateral da companhia.

Há quase três anos a Rio de Janeiro Refrescos teria negociado a implantação do sistema de banco de horas, que fora rejeitado pelos representantes dos trabalhadores.

Segundo a entidade, funcionários da fábrica referendaram, também, em duas assembléias (uma em novembro último e outra em janeiro deste ano) pela não implantação do banco de horas. No segundo encontro organizado pelos sindicalistas, diretores da empresa teriam coagido os trabalhadores. Após isso, a empresa impôs o sistema na unidade em Cariacica, mesmo contra a vontade da maioria dos empregados, acusa o sindicato.

Diretores do Sindialimentação garantiram que uma série de protestos podem ocorrer nesta semana, em frente à fabrica, nas proximidades do bairro Tajara. Na tarde desta segunda-feira (3) eles estiveram no local para protestar, durante a troca de turnos.

De acordo com o sindicato, a Justiça do Trabalho marcou audiência em uma das varas para julgar o processo por falta de pagamento de horas extras. Ainda não há perspectivas de quanto os empregados poderão ganhar. Todos ficaram sem remuneração de horas extras durante sete meses.