Tudo que existe é o sol, desdobrado em tabuleiros de xadrez oriental, preto branco e milhares de contas de vidro translúcido, esponjas de luz.
Tudo que existe: a imagem latente que as coisas carregam, a memória que os homens carregam das coisas. todo um zoológico entre as suas orelhas, orijas e santos de rara beleza, vagas nuanças num filme velado.
Superexposta, a vida esfarela. Ladainhas mecânicas costuram os dias numa quaresma de imagens lavadas, perdendo pouco-a-pouco os termos, contornos. É tanta água que a carne se gasta, só ficam os ossos, brancos e limpos e secos.
Higiênica assepsia: concretizado o desejo, o sonho definha. Crianças que limpam os dedos gordurosos na venda contrária que cobre seus olhos e ata o pé desse enorme elefante tatuado, onde as lembranças ficam gravadas como marcas de ácido.
A Revelação só acontece em quartos escuros, quando a gente se abraça e se beija e esquece do mundo.
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