Pela lógica das ções judiciais envolvendo criminosos, Sebastião Pagotto deveria estar imobilizado, sem condições de exercer qualquer atividade profissional, pois está preso. Mas, tratando-se de Pagotto, a prefeitura de Vitória vem contrariando toda e qualquer lógica.
Começou negando-se a romper o contrato que mantém com ele para limpeza e desobstrução de fossas e galerias de Vitória após sua prisão, em maio último. O contrato poderia ser legal, do ponto de vista das regras estabelecidas pelo edital de licitação, mas havia um fato relevante, de caráter moral, que aconselhava o seu rompimento.
Tanto é assim que a Cesan - onde Pagotto também pleiteava um contrato de prestação do mesmo serviço - suspendeu os entendimentos visando à assinatura de contrato tendo em vista justamente o escândalo resultante da prisão do empresário.
Na esfera do governo estadual, prevaleceu o bom senso. Na prefeitura de Vitória, não se sabe exatamente o que prevaleceu para manter Pagoto como beneficiário de um vultoso contrato. De acordo com o prefeito João Coser, o que prevaleceu foi a "legalidade", pois a empresa de Pagotto preenchera todos os requisitos do edital de licitação.
O edital, obviamente, não determinava a suspensão do contrato caso o prestador de serviços fosse preso por envolvimento em suborno de testemunha no processo de homicídio em que é acusado de mandante. Tal decisão teria de ser tomada em respeito à opinião pública e a princípios da moralidade no trato do dinheiro público.
Mas esse quesito não entrou nas considerações do prefeito. Espera-se que entre agora, na análise de um novo contrato que a prefeitura está em vias de assinar com Pagotto, conforme denúncia do vereador Antônio Denadai. (Veja matéria em destaque nesta edição).
O contrato ainda não foi homologado. Nem deverá sê-lo, se ainda restar algo de dignificante nos atos administrativos do prefeito João Coser. Esse é o objetivo pelo qual vem lutando o vereador Antônio Denadai. E é o que espera a sociedade capixaba.
Um criminoso que se encontra atrás das grades não merece ser beneficiário de recursos desenbolsados pelo cidadão-contribuinte.
Pense nisso, prefeito.
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