Vitória (ES), edição de 14 de julho de 2006
 
PSF é certificado no ES e propõe
melhorias ainda para este ano


Flávia Bernardes

Foto: Rodrigo Melo
  

Foi apresentado nesta sexta-feira (14), no auditório da Prefeitura de Vitória, a certificação de 100% das equipes do Programa de Saúde da Família (PSF), com a participação de representantes de 73 municípios. A certificação apontou erros e acertos do programa, que já tem oito anos de atuação no Estado e ressaltou a importância da qualificação na busca de resultados concretos.

Segundo Célia Márcia Birchler (foto), que é membro da equipe, que coordena a Atenção Primária no Estado, é necessário que o Espírito Santo invista em capacitação do profissional e em métodos para que haja menor rotatividade no setor e ainda a melhoria da estrutura física.

"Avançamos muito, éramos duas equipes em 1998, hoje somos 471. Para melhorar ainda mais precisamos investir em tudo isso para que seja garantida, principalmente, a continuidade qualificada das ações e o vínculo com a população", ressaltou.

Há uma grande rotatividade de profissionais no programa, segundo Célia, o que prejudica a qualidade, a continuidade nas ações, além da relação do médico e enfermeiro com a população. Ainda sim, o resultado na vida dos capixabas depois do PSF é positivo. Já foi registrada, pelos próprios profissionais, a melhoria de vida da população atendida no que diz respeito à atenção à saúde e à prática de hábitos saudáveis, como caminhadas e alimentação.

"Temos uma resposta boa, principalmente, no interior. A questão sobre internação também melhorou, a população parou de procurar médico apenas quando tem algo urgente, com o auxílio do programa", disse.

Para o secretário de Saúde do Estado, Anselmo Tose, a certificação - a primeira do País - servirá como um diagnóstico do programa, desde seu início que facilitará o entendimento de como PSF foi realizado até hoje, e como está a qualidade das equipes. A partir disso, o secretário garantiu que para os próximos anos será incentivada a premiação e a divulgação ampla do atendimento. Este ano, 59 municípios que estão listados abaixo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e baixa renda per capta foram beneficiados com R$ 19.700 milhões investidos na construção ou melhoria de estrutura para o PSF.

Ainda sim, as prioridades apontadas pelo governo do Estado, como o combate à mortalidade infantil e materna, a hanseníase e a tuberculose ainda estão de fora do PSF. Segundo Célia, no momento não há nenhuma ação em prática para combater estes problemas da saúde.

"A Secretaria da Saúde está desenvolvendo a Linha Guia, um protocolo que servirá de base para os médicos e enfermeiros sobre estes problemas. Será uma Linha Guia para cada tema com dados que auxiliarão no combate ao problema e para formular um plano de educação permanente sobre isso para o profissional de saúde", ressaltou.

A certificação feita com todas as 471 equipes de PSF do Estado foi elaborada através de um levantamento de dados e monitoramento da situação das equipes em meados de 2005 e início de 2006 e 70% das equipes foram classificadas entre "bom" e "regular".

O PSF dá assistência a 51% da população capixaba representada em 73 municípios. Segundo informações da secretaria de saúde, o município que não possui PSF é assistido pelo Programa de Agentes Comunitários de Saúde. A diferença entre os dois é que o PSF é formado por médicos e enfermeiros enquanto o Programa de Agentes Comunitários de Saúde é formado por agentes de saúde.