Os criminosos ignoraram a presença dos 200 homens da Força Nacional que atuam no Estado e voltaram a atacar, incendiando mais um ônibus. A cúpula da segurança negou que os policiais de elite venham a ser deslocados para as ruas. Século Diário teve acesso a mais um recado (de supostos presos) deixado com o motorista do coletivo incendiado.
Endereçado às autoridades estaduais, que desta vez o bilhete não é atribuído a qualquer facção criminosa, mas assinado apenas por "o Crime".
Reprodução: Rodrigo Melo
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Apesar de o serviço de Inteligência das forças policiais terem previsto, no início do dia desta quinta-feira (12), a possibilidade de diversos atentados na Região Metropolitana, a polícia não conseguiu impedir o novo ataque noturno a um coletivo. Foi o seguinte o recado deixado pelos bandidos (mantida a forma como o redigiram): "Estamos queimando mais um ônibus a pedido de irmãos que estão no sofrimento na Casa de Custódia de Viana, pela superlotação. Onde também se em contra presos do Mosesp II sofrendo por maus tratos, a falta de água, presos doentes - sem medicação -, e que também não estão recebendo visita, e nem a entrada de malote. Estamos esperando uma resposta com solução que possa ajudar aos irmãos que estão sofrendo. Assinado: o Crime".
Há suspeita de envolvimento de presos da Penitenciária de Segurança Máxima (PMSA ou Mosesp II), detidos na Casa de Custódia de Viana (Cascuvi) para recontagem de presos e formação de um banco de dados dos quase mil internos das unidades - onde atuam todos os policiais da Força Nacional. O recado às autoridades foi deixado com o motorista do 18º ônibus incendiado (e totalmente destruído) neste ano - o 28º desde novembro de 2004.
As características da grafia chamam a atenção. A mensagem de 12 linhas não se assemelha a nenhuma outra carta redigida por supostos delinqüentes. A perícia da Polícia Civil investiga a carta.
Reprodução: Rodrigo Melo
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| Secretário de segurança: Inteligência da polícia já sabia da possibilidade de atentados, mas não conseguiu evitar novo ataque contra ônibus |
Sobre as acusações de maus tratos aos presos, também denunciados por movimentos dos direitos humanos, recentemente a Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social (Sesp) já disponibilizou todo o aparato necessário para que o Ministério Público Estadual (MPE) faça as devidas apurações. O coletivo foi incendiado por quatro bandidos às 23h06, na Avenida Carlos Lindemberg, em Vila Velha. Mais de 40 pessoas estavam no coletivo. Ninguém ficou ferido. Até o final da manhã nenhum dos suspeitos desse atentado foi localizado.
Somente PM e PC nas ruas
Cópias da carta foram entregues à imprensa em mais uma entrevista coletiva na Sesp. "Preliminarmente, acreditamos que esta nova carta é mais um indício de que não há articulação organizada entre facções criminosas. Se analisarmos a queima de ônibus, caso a caso, veremos que os ataques não seguem uniformidade", disse o chefe da PC, delegado André dos Reis Neves.
Vinte e seis incendiários estão presos desde o início dos ataques deste ano. Há pelo menos mais 12 mandados de prisão de suspeitos foragidos.
A respeito da falta de reforço da Força Nacional no cerco tático na Grande Vitória, o comando geral da Polícia Militar considerou desnecessária a iniciativa.
"Com o trabalho que eles continuaram fazendo nos presídios é muito mais proveitoso destacar os policiais militares que faziam a segurança nos presídios para patrulharem nas ruas no cerco tático, uma vez que os policiais daqui sabem onde são os pontos críticos e qual é a melhor maneira de agir", justificou o comandante, coronel Antônio Carlos Coutinho.
O delegado e o coronel da PM participaram da coletiva do secretário de Estado da Segurança, Evaldo Martinelli, no final da manhã desta sexta-feira (14).
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Cerco tático mais intenso
Evaldo Martinelli prometeu que a atuação da polícia nas ruas será intensificdo: "Teremos que contar com a compreensão da população", disse. A operação em conjunto das policiais Civil e Militar, iniciada na tarde desta quinta, resultou em trânsito muito lento em diversos pontos da região.
"Não informamos antes por questão de estratégia", afirmou. Seis pessoas ligadas ao tráfico de drogas foram presas até a manhã desta sexta, somente em Vila Velha.
Martinelli buscou transmitir tranqüilidade. Ele disse que as forças policiais no Estado trabalham para que a situação capixaba não se compare com a guerra urbana paulista. Ele salientou mais uma vez que não há indícios de ligação entre os criminosos do Espírito Santo e de São Paulo.
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