Vai começar outro jogo




Antônio Carlos Medeiros
é administrador e cientista político

Termina a Copa do Mundo de futebol. Começam os "jogos" das eleições gerais de 2006 no Brasil. Agora é oficial, com as candidaturas já registradas.

Teremos novidades. Penso que a principal delas é a de que as eleições regionais acabarão por serem mais importantes do que as eleições presidenciais, ao contrário do que ocorreu em 2002.

Isto porque a disputa nacional vai precisar, mais do que nunca, dos palanques e apoios regionais. E, também, porque a disputa nacional terá um gosto de "mais do mesmo" (com a repetição da polarização entre PT e PSDB), rebaixando as taxas de emoções e mobilizações. E tornando estas as eleições do "pão-com-manteiga", do pé no chão, das propostas concretas. E não, como em 2002, as eleições das emoções e dos sonhos.

Desta vez, a questão da governabilidade já estará posta no período eleitoral. Será parte integrante da campanha. E, aí, vem a constatação de que nem o presidente Lula, nem o candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, terão condições de governabilidade sem a formação de alianças amplas.

Por isto, crescem de importância as eleições de governadores, principalmente. Assim como crescem de importância as eleições para o Congresso Nacional, principalmente para a Câmara dos Deputados, onde se prevê uma grande renovação.

As eleições dos governadores deverão atrair mais atenção, interesse e mobilização do que as presidenciais. Cansados da guerra sem trincheiras da polarização nacional, os eleitores prestarão mais atenção nos seus estados e nos seus problemas.

Decepcionados com a atuação do Congresso Nacional, eles também deverão eleger novos candidatos. Mesmo que estes novos candidatos sejam atores políticos conhecidos - como são os casos de Rita Camata e Luiz Paulo Vellozo Lucas, no Espírito Santo, para citar dois exemplos.

Portanto, as eleições deverão ter uma lógica federativa, uma lógica "de baixo para cima". Que será fortalecida na medida em que os próprios candidatos à presidência da República buscarem os palanques regionais para garantir não apenas a eleição, mas, também, e este é o ponto, a governabilidade.

Prognósticos? Todos têm os seus. Hoje, parece claro que esta lógica federativa vai, também, forçar um processo de "despaulistização" da política nacional, como tenho enfatizado aqui.

As alianças nacionais terão mais de outros estados e, também, mais do PMDB, o partido com maior capilaridade regional no Brasil. A noiva da vez. Que já dá sinais de ter entendido este novo papel. Tanto que já procura assumir um gestual político pró-idéias e propostas - pró-governabilidade, enfim.

Por tabela, esta mesma lógica vai, também, elevar a importância dos governadores na costura da governabilidade nacional. Todos eles com bancadas estaduais "próprias" (turbinadas pela importância que os governadores terão nas eleições para deputados federais e senadores).

Em resumo: mais pão e menos circo; mais povão e menos classes médias; mais grotões e menos metrópoles; mais norte e nordeste e menos "sul maravilha".

Eleições que deverão fugir um pouco das receitas dos livros-textos do marketing político e da sociologia das classes médias. Para entrar um pouco no mundo da sabedoria popular. Mais de antropologia e menos de sociologia ...