Não bastasse a Companhia Vale do Rio Doce, a Aracruz Celulose, a CST, a Belgo Mineira e a Samarco manterem, de fato, seus escritórios centrais em outros estados, estamos para assistir, dentro em pouco, também, a Escelsa se mudando para São Paulo. E a Escelsa é um caso especial por se tratar de uma empresa que era genuinamente capixaba.
A mudança representa risco para seus trabalhadores. Pode estar se repetindo o caso da Telemar. Ela tinha 2.500 empregados aqui no Estrado. Ao se mudar para o Rio de Janeiro, dispensou 2.400. Contratou o que era necessário pela tão miserável tercerização. A Escelsa é também da área de serviços. Igual à Telemar. E por aqui já tercerizou quase todo o seu setor de manutenção. Ela anda na casa dos 3 mil empregados. Lá fora vamos ver quantos vão sobrar.
As duas são da área de serviços, podem ir embora e não deixar nada no Estado. Que não é o caso da Vale, da Aracruz, da Samarco, da CST e da Belgo Mineira, que têm suas atividades industriais no Estado. Não as pode carregar nas costas, mas em compensação fazem seus lucros aqui e gastam em outros centros.
A rigor, elas não geram desemprego no setor, mas produzem baixos salários com a contínua contração de trabalhadores por meio de empresas de aluguel de mão-de-obra. Elas promovem o aviltamento dos salários. Impunemente. O que é o pior: ninguém faz nada contra e até os sindicatos das categorias afetadas não agem como devem. Estes, são, infelizmente, prudentes. Imaginem! Prudentes com a destruição do salário?
Eu não sei nem o que recomendar. Porque tem nisso tudo frouxidão de sindicatos e indiferença dos governos. As grandes empresas fazem o que querem no campo da relação de trabalho. Como também fazem o que querem com o dinheiro deles, que circula em outras praças. Garantindo para nós mesmos a poluição e o baixo salário. E ainda há quem diga que promovem o desenvolvimento do Espírito Santo.
Fica aí minha bronca, pois já estou de saco cheio (desculpem a expressão) de estar falando a mesma coisa enquanto os sindicatos, a parte que me compete comentar, ficam sem saída para as perversidades do capitalismo selvagem que aportou no Estado com as grandes empresas.
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