Agressão à moral e à ética




A influência nefasta dos chamados grandes projetos industriais na política capixaba é algo que deveria ser mais bem avaliado por quem de direito - o Judiciário, os meios de comunicação e os defensores da ética, da moral e dos direitos humanos.

Trata-se de verdadeiro escândalo. Que os próprios empresários, ou seus prepostos, assumem, não como ato condenável, mas como a coisa mais normal deste mundo.

O jornal "A Gazeta" desse domingo, 16, nomeou, entre as principais empresas doadoras de verbas de campanha para candidatos a cargos eletivos, três das principais poluidoras do Estado - Aracruz, CST e Vale do Rio Doce. Não se trata de informação nova, pois as doações estão registradas na Justiça Eleitoral e o caso é de domínio público.

O que chama a atenção - e certamente provoca indignação entre os cidadãos de bem - é a justificativa dessas empresas para as doações: dizem que elas se destinam ao aperfeiçoamento da democracia. Não é verdade.

Até porque são empresas que floresceram, cresceram e se consolidaram no período ditatorial. Que milagre as fez transformar-se em arautos da democracia?

É um escárnio, um desrespeito à inteligência e ao discernimento do povo deste Estado. O que elas estão fazendo, ao abrir seus cofres para eleger candidatos de sua escolha, é defender os próprios interesses. É também uma forma de escapar de críticas na área política.

A matéria de "A Gazeta" tem tom ameno. Fala de milhões de reais doados a candidatos como se estivesse falando de ninharias. E registra, como se esivesse ouvindo "o outro lado", as manifestações dos empresários responsáveis pelas doações.

Esses homens não são o outro lado da questão. São a própria queestão. O outro lado são as vítimas dessas empresas social e ambientalmente predadoras - pequenos agricultores, índios, descendentes de quilombolas, trabalhadores terceirizados, famílias vitimadas pela poluição.

Essas pessoas é que deveriam se manifestar sobre a dinheirama que as poluidoras despejam em nossas eleições para continuar merecendo as benesses do poder, auferir lucros fabulosos e infernizar a vida das pessoas que contrariam seus interesses.

Agora mesmo estamos noticiando, na matéria em destaque desta edição, mais um ato de arbitrariedade e violência praticado pela Aracruz Celulose contra descendentes de quilombolas. Esta é a democracia que a Aracruz defende - a democracia do porrete e da humilhação que oprime cidadãos indefesos em seus eucaliptais.