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A Final
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José Roberto Mignone
Naquele domingo à tarde, me senti um torcedor do Zaire. Amuado na poltrona, tive de engolir o Zidane dando cabeçada nos outros, um jogador inexpressivo da Itália levantando a taça, ver um juiz medíocre, sem capacidade de apitar qualquer final, até de campeonato de várzea. Aturar um pé-frio e inconseqüente chamado Galvão Bueno, enfim, um domingo melancólico.
O pior de tudo. A insistência da Rede Globo em falar de Copa do Mundo, festa de outros países, etc. Cá pra nós. Que se danem os outros países, com suas notícias de Copa. E naquele mesmo domingo teve muita cobertura da Alemanha e da Itália. No meio disso tudo, um repórter tentava tirar uma palavra de culpa do Roberto Carlos, em São Paulo.
Ora, não foi a meia de Roberto Carlos e nem a teimosia do Parreira em não mudar a formação da equipe. Tampouco foi a velhice de Zagallo ou a gordura do Ronaldão. Não foi porque Juninho Pernambucano amarelou e Ronaldinho não jogou nada. Pois é, nada disso foi motivo de culpa pelo vexame nacional.
A Rede Globo fez no Fantástico daquele mesmo domingo, uma matéria já no país da próxima Copa, daqui a quatro anos. O inocente telespectador se deliciava vendo e achando uma grande reportagem esse "adiantamento" da Globo. Mas não é isso não. Ela simplesmente já está assegurando sua cota de clientes às nossas custas. Parabéns pela competência dela.
Enquanto os fracos franceses e os débeis italianos disputavam essa fraca Copa do Mundo, aqui no país continuavam jogando os times de várzea, além dos grandes se preparando para o retorno. Mesmo com o coração dilacerado, os torcedores dos dois maiores times do Rio torcem numa final de campeonato. E a vida que segue.
Mas cadê o presidente da CBF? Esse sim pode ser o culpado ou ter uma grande parcela de culpa. Cadê ele? Não aparece nas derrotas. Só na vitória. Não é parceiro, amigo, irmão. Daqueles que estão ali, na vitória e na derrota. Cobrem desse senhor a Copa perdida. Pois é dele a administração da Seleção Brasileira. Se conseguirem chegar até ele, já que vivem cercados de bajuladores políticos. Interesseiros e elementos de mau caráter. Mas, enfim, vivemos no Brasil...
PARABÓLICAS
Um trabalho muito bem feito faz Léo Jr. com o seu programa Empório da Bola, uma sucessão do Apetite de Bola, criado por Oswaldo Amorim nos anos 70.
Quando chega sexta chove anúncios de venda de carros na TV, pois geralmente fazem negócio nos feirões de domingo. Todos com locução de Fábio Pirajá
Provavelmente a reunião do TRE com as rádios e partidos políticos poderá ser quinta-feira. Esta ou na outra.
O grupo do Reginaldo Almeida, procurando uma rádio, em Vila Velha para negociar. O alvo mais certo é Rui Baromeu, que tem uma concessão de AM naquele município.
MENSAGEM FINAL
Com esta ignorância em futebol, não posso menos que confessar meu respeito por aqueles que se instalam em arquibancada para esperar que onze cavalheiros se empenhem em demonstrar a outros onze que, com os pés, se pode fazer mais do que se faz com a cabeça.
Gabriel Garcia Marquez
e-mails: jrmignone@hotmail.com
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