Vitória (ES), edição de 17 de julho de 2006

Eleição bipolarizada mostra pobreza
do cenário político do ES



Renata Oliveira

O Espírito Santo tem um cenário político pobre este ano, que não vai favorecer a renovação e sem aprofundamento das raízes partidárias. A opinião é do ex-secretário de Educação do Estado e professor universitário aposentado Stélio Dias. Para ele, as alianças formadas têm o único objetivo de conquistar ou manter-se no poder sem o aprofundamento das ideologias.

"As alianças são pobres porque não trazem as questões partidárias. São pobres porque não trazem as ideologias partidárias. São pobres porque não trazem nenhum apelo, nenhum conceito novo às demandas da população. Isso, a princípio, digamos, é um conceito um pouco acadêmico. Mas quando você traz esse conceito acadêmico para a necessidade do povo, os conceitos permanecem. Essas figuras permanecem, essas filosofias permanecem. Então, como estava falando sobre cenário político, digo que vejo um cenário muito pobre, que não vai trazer ao Estado, ao Espírito Santo nenhuma colaboração nova ao que está havendo, atualmente", disse.

O professor destaca a bipolarização da eleição como exemplo dessa pobreza do cenário político. Acredita que não há um esforço nem do governador Paulo Hartung nem de Sérgio Vidigal no sentido de sistematizar os problemas em pauta no Estado, como a violência urbana, por exemplo.

A concentração que o governador fez em cima de uma só pilastra - a recuperação econômica do Estado - tornou-o frágil, e essa fragilidade poderá ser vista nesta eleição, pois Vidigal, apesar de ser um político local, terá ao seu lado o experiente Max Mauro, que faz oposição dura e tem seu nome difundido em todo o Estado.

Stélio Dias também destaca a dificuldade que o governador terá em se manter neutro na eleição presidencial. Segundo o professor, embora, Hartung tenha habilidade em lidar com a esquerda, em um cenário de embate entre PSDB e PT, será muito difícil o governador se dissociar dessa briga.

O perfil do eleitorado capixaba, com cerca de 50% dos eleitores com baixo nível de escolaridade, também contribui, segundo ele, para a pouca renovação do quadro político e do raso debate eleitoral.