Sem dizer quando, o deputado federal Neucimar Fraga (PL-ES/foto) revelou que o líder do PCC, Carlos Camacho, o Marcola, já esteve em Guarapari como turista. "Ele disse que gosta muito da cidade", afirmou. O parlamentar, vice-presidente da CPI do Tráfico de Armas na Câmara, ficou surpreso com a informação sobre células da facção criminosa atuando no Estado.
Neucimar foi um dos parlamentares membros da CPI que interrogaram Marcola, no último dia 8 deste mês, dentro de um presídio. O chefe da mais poderosa facção criminosa do País está detido no Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) da unidade carcerária de Presidente Bernardes, interior paulista.
"Estou investigando isso há mais de um ano com os membros da CPI. Investigamos a atuação do crime organizado em todo o País, com o tráfico de drogas e a violência, tenho certeza do que estou falando. Constatamos que há homens ligados ao PCC fora de São Paulo em outros estados, e o Espirito Santo é um deles", falou ao Século Diário o deputado federal Raul Julgman (PPS-PE), sub-relator da CPI do Tráfico de Armas.
O parlamentar disse que o nível de organização do Primeiro Comando da Capital ainda é amena em território capixaba - como em Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. As células se sustentariam nessas regiões, principalmente pelo tráfico de drogas e como "pombos-correio" entre criminosos dentro e fora dos presídios. Mato Grosso e Paraná são os estados em situação mais grave com relação à presença dos criminosos, depois de São Paulo.
O deputado federal comentou ainda que a CPI do Tráfico de Armas deve buscar informações sobre o assassinato de Cláudio Luiz Barcelos, 37, que trabalhava na Casa de Custódia de Viana (Cascuvi), morto com sete tiros na frente dos filhos de 3 e 5 anos de idade - na noite do último sábado (15). "Vamos solicitar que um membro da CPI vá aí até o Espírito Santo para acompanhar de perto os desdobramentos do assassinato desse agente penitenciário capixaba", disse.
Na manhã desta segunda-feira (17), representantes dos agentes penitenciários estiveram protestando no Centro de Vitória, em frete à Secretaria de Justiça no Estado (Sejus). Eles foram recebidos pelo secretário Ângelo Roncalli, no início da tarde. Os agentes reivindicaram o uso de coletes à prova de balas, escolta policial (tanto no deslocamento até o trabalho, como até suas casa) e o registro em carteira de trabalho para posse de armas. Roncalli preferiu se pronunciar em coletiva no fim da tarde.
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Sesp e Neucimar: PCC não atua no Estado
A Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social (Sesp) rebateu a suspeita de presença do PCC no Espírito Santo, mais uma vez, por meio de sua assessoria de imprensa. Informou que o Serviço de Inteligência das Forças Policiais não detectaram a presença de qualquer integrante ou célula da facção criminosa paulista. O estranho foi outro membro da CPI do Tráfico de Armas também ter negado a informação.
"Isso não existe. Infelizmente creio que o deputado Julgman esteja equivocado. Investigo isso há um ano junto com os membros da CPI e nunca ficou constatada a presença do PCC no Espírito Santo", afirmou.
Neucimar disse no entanto que o Comando Vermelho (facção caricoca) possui células aqui no Estado. De acordo com o parlamentar federal, esse inclusive seria o principal motivo para que agentes do crime paulista não estivessem atuando no Estado.
"Não que uma facção seja rival da outra. As duas são parceiras, mas entre elas existe uma política de não interferência. Ou seja, uma não atua em território do outra", explicou.
A informação a respeito do turismo de Carlos Camacho em Guarapari remete a outro fato, quando as autoridades federais e do Estado descobriram que o traficante de drogas mais perigoso do País, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, mantinha bens imobiliários num balneário da região.
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