Vitória (ES), edição de 21 de julho de 2006
Surge nova alternativa econômica:
incubadoras se multiplicam no Estado



Anderson Cacilhas
Foto: Divulgação/Suppin


Com dois anos de implantação no Espírito Santo, as incubadoras de empresas começam a apresentar resultados. As quatro unidade, localizadas em Ponto Belo, Águia Branca, Venda Nova do Imigrante e Colatina, já incubam dezenas de empresas, contabilizando a geração de 500 postos de trabalho. Outros sete municípios já tiveram viabilidade comprovada.

Um seminário sobre o tema, realizado em Cariacica, já atrai o interesse de outros municípios. As incubadoras são uma parceria entre o Sebrae, a Superintendência de Projetos de Polarização Industrial (Suppin) e as prefeituras. Apenas em Águia Branca, dez empresas incubadas já geram cerca de 400 postos de trabalho. Além das empresas que funcionam dentro das instalações da incubadora, existem ainda empresas associadas que recebem suporte do projeto.

As empresas incubadas operam durante dois anos dentro do prédio do projeto, onde seus empreendedores recebem a qualificação necessária para tocar o negócio. Noções de administração, tecnologia e especificidades da área de atuação da empresa são assimiladas pelo empreendedor neste período, que pode ser prorrogado por mais um ano. Instrutores com qualificação são contratados para orientar os empreendedores nas diversas áreas.

No Espírito Santo há empresas incubadas dos setores de confecção, softwares, marketing, bolsas, calçadista e de alimentação. Uma empresa de confecção incubada em Águia Branca chegou à idade adulta, foi graduada e já vende seus produtos para quatro estados brasileiros.

Mais sete municípios podem ganhar incubadoras ainda este ano. Os estudos de viabilidade de Cariacica, Mantenópoles, São Gabriel da Palha, São Domingos do Norte, Mimoso do Sul, Pinheiros e Piúma já estão prontos e suas prefeituras já podem providenciar locais para a instalação das incubadoras. Entretanto, os convênios só poderão ser fechados após o período eleitoral.

Para divulgar o programa de incubadoras, a Suppin promoveu um seminário na sede do Serviço Nacional de Aprendizagem no Transporte (Senat) de Cariacica nesta quinta-feira (20). O diretor-geral da Suppin, João Luiz Castello Lopes Ribeiro, informou que outros municípios devem se interessar após a realização do evento e revelou que a Serra já procurou a entidade com interesse em firmar uma parceria.

Além das prefeituras, o Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (Cefetes) também mostrou interesse em firmar convênio de assistência técnica na área de tecnologia para dar suporte ao projeto.

Lopes Ribeiro disse que em Águia Branca a população e a municipalidade estão muito satisfeitas com os resultados. Os 400 postos de trabalho gerados na cidade já se igualam ao número de servidores públicos municipais, até então o maior empregador do município. As empresas de confecção incubadas diminuíram a dependência da população com relação ao serviço público, fomentando a economia da cidade.

Hoje existem 283 incubadoras no Brasil e outras 74 estão em fase de implantação. Cerca de duas mil empresas estão incubadas e outras 1.500 são associadas. Já foram graduadas 1.580 empresas e cerca de 30 mil postos de trabalho foram abertos através desta iniciativa.

As incubadoras de empresas surgiram no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, na década de 50. A primeira experiência no Brasil foi feita em São Carlos, São Paulo, em 1984. Na ocasião criou-se uma incubadora de empresas de alta tecnologia.