Vitória (ES), edição de 21 de julho de 2006

Entrada de Camilo na chapa do
PMDB faz a sua primeira vítima



Renata Oliveira
Foto capa: Bernardo Coutinho

"É muito tubarão para pouca sardinha". Assim o vereador Zezito Maio (PFL/foto), que é pescador, justificou sua desistência de concorrer a uma vaga de deputado federal. Ele deixou a disputa depois da entrada do empresário Camilo Cola na chapa proporcional formado por PMDB, PFL, PSDB e PTB. A seu ver, a entrada do empresário reduziu as chances dele e outros candidatos.

Zezito entrou na disputa com a expectativa de ficar na faixa entre a primeira e a terceira suplência de uma chapa que deve eleger uma bancada de cinco a seis deputados federais. Com tantos candidatos bons na chapa, o vereador tinha boas chances de ocupar a cadeira a médio prazo.

Ele prevê que os caminhos de boa parte dos eleitos não estão ligados à Câmara. Lelo Coimbra (PMDB) pode voltar a ser secretário de Educação, Rita Camata (PMDB) pode voltar ser secretária de Transportes, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) pode candidatar-se a prefeito de Vitória em 2008 ou até ser ministro, se Alckmin vencer a eleição.

Neste quadro, ficando até à terceira suplência, Zezito tinha chance de entrar na vaga de qualquer um deles. Mas, com a entrada de Camilo Cola, esta expectativa cai para quinta ou sexta suplência, o que o deixa sem qualquer expectativa de ocupar uma cadeira ba Câmara dos Deputados.

Zezito lamentou o privilégio concedido ao empresário cachoeirense pela direção do PMDB. Lembrou que Camilo não tem reduto eleitoral nem agrega ao seu nome nenhuma liderança forte. "O que ele tem é poder econômico. E não vai prejudicar só a mim, não. Eu pelo menos estava na expectativa de suplência. E quem estava com a mão na cadeira da Câmara e poderá ficar de fora por causa do poder econômico do Camilo?", questionou.

A novela da candidatura de Camilo Cola teve início na convenção do PMDB, realizada em agosto deste ano. O empresário, que chegou ao encontro pleiteando uma vaga para o Senado, aceitou a possibilidade de ser suplente do então candidato ao Senado pelo grupo, o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas. Acontece que o bloco, formado por PMDB, PFL, PSDB e PTB, decidiu não lançar candidato ao Senado e o nome de Camilo ficou fora da disputa, também ficando de fora da chapa proporcional fechada na convenção.

Camilo passou então a reivindicar uma vaga na chapa proporcional, mas os demais candidatos a deputado federal pelo PMDB (11 ao todo), e principalmente os candidatos dos partidos coligados, não estavam receptivos à idéia.

Depois de muita insistência, Camilo Cola conseguiu uma vaga na chapa para deputado federal pelo grupo dele. Vai disputar no lugar do médico cardiologista Schariff Moysés, que desistiu da vaga em seu favor.