O que esconde a proposta de criação de Mosaico de Unidades de Conservação do Manguezal da baía de Vitória? Provavelmente, a pavimentação do caminho para destruição da Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão, de Vitória. Com a conseqüente abertura e pavimentação da via para que seja construído um canal, numa região onde, hoje, é de preservação permanente.
Não é a toa que será realizado um Seminário sobre Criação do Mosaico de Unidades de Conservação do Manguezal da baía de Vitória,nesta sexta-feira (21), de 8 às 18 horas, no Centro de Treinamento Dom João Batista, na Praia Formosa, em Vitória.
O evento é promovido pelo projeto Vitória do Futuro, em parceria com a Fundação Promar, do grupo Cepemar, empresa conhecida por fazer os Estudos de Impacto Ambiental (EIA/Rima) de inúmeras obras poluidoras e que degradam ambientalmente, social e econômica o Estado. Como as poluidoras CST, CVRD, Samarco e Aracruz Celulose.
Aparentemente tudo está sendo preparado para que o condomínio Alphaville, em fase de licenciamento ambiental na Serra possa, finalmente, ter sua marina. Para isso terão que reabrir o canal dos escravos, o que hoje não pode, pois todo o mangue é protegido como estação ecológica.
Então, é fácil prever: um mosaico de unidades de conservação permitirá, por exemplo, a criação de uma Resex exatamente por onde deverá passar a via de acesso do condomínio ao mar.
Os impactos ambientais das construções e do uso da marina que passe pelo Lameirão é grande, como por exemplo, a destruição de vegetação e permanente risco de derramamento de óleo das embarcações.
Então, se não resguardar por inteiro a Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão, criada em 1986 e que tem 8,9 milhões de metros quadrados de área,
o tal mosaico só servirá mesmo aos para atender ao condomínio Alphaville. O manguezal recobre 92,66% da estação ecológica. A fauna do lugar é representada principalmente por peixes, crustáceos, moluscos, aves e pequenos mamíferos. A estação ecológica possui também 655.000 m² de terra firme, com solos de restinga, na Ilha do Apicu. Parte do Lameirão fica no município da Serra.
No seminário, a estratégia está bem definida. Primeiro deverá ser apresentado que as áreas estão degradadas. Aqui, deverão citar que catadores de caranguejo já atuam nas regiões tais e quais, etc. É possível até que acenem que será permitido a um maior número de pessoas poderem trabalhar na atividade, etc e tal. Podem inclusive já ter seduzido o número de pescadores e até alguns ambientalistas.
Participarão desta fase preparatória as prefeituras de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra e a Ufes. Grupos de trabalho, a partir das 13h30 discutirão e apresentarão "sugestões, estratégias e atividades para formação do mosaico", incluindo:
1. Proposta da área de mosaico, levando em consideração os aspectos sócio/econômicos/ambientais - técnicos e profissionais da área
2. Sensibilização e mobilização - organizações não-governamentais
3. Estratégias de implementação das Unidades de Conservação em cada município - Secretários e técnicos das prefeituras e Ufes'.
E, às 17h, "elaboração de proposta de acordo de cooperação técnica entre os agentes, a ser apresentado aos prefeitos, Ibama, Iema e Ufes". O enceramento será as 18h.
Dificilmente nesta sexta-feira, às 18h, não estarão definidas as táticas que a estratégia da Fundação Promar montou para acabar com a Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão, o que será muito descarado ou, na melhor das hipóteses, de reduzi-la drasticamente.
E estará aberta a possibilidade para os ganhos econômicos do condomínio Alphaville. E de que mais ganha com isso.
Abra os olhos, comunidade! Acordem ambientalistas!
É agora ou nunca: protejam a Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão!
Contato:
ubervalter@seculodiario.com
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