Vitória (ES), edição de 24 de julho de 2006

Governo melhorou a imagem do ES,
mas tem que avançar no social



Renata Oliveira
Foto capa: Apoena

O Estado avançou nos último quatro anos, do ponto de vista econômico. Mas, quanto ao social, ainda há muito o que se fazer. A opinião é do presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Isaías Santana, que se licenciou do cargo para concorrer a uma vaga na Assembléia Legislativa. Ele criticou a falta de investimento nas questões sociais e a falta de atendimento às minorias.

Para Isaías, durante a administração de Paulo Hartung o Estado conseguiu uma projeção grande do ponto de vista econômico, mas, assim como nos governos passados, desde Albuíno Azeredo, acabou sofrendo com a atuação do crime organizado.

"Mesmo com o desenvolvimento da média e pequena agricultura, da pequena e média empresa, ainda não se conseguiu atender à sociedade na questão dos movimentos reinvindicatórios na questão da terra. Os diversos segmentos, os indígenas, que têm uma luta histórica pela terra, os pequenos agricultores, o próprio Movimento dos Sem Terra.... Então, não houve uma preocupação com a agricultura familiar. O Estado hoje está reconhecido como um Estado promissor, um dos que mais crescem na região Sul e Sudeste. O Estado comporta essa visão na região Sudeste, mas com uma demanda social muito forte", argumentou.

Ele destacou a importância da existência de uma oposição na eleição deste ano, justamente para que as questões sociais sejam debatidas com a sociedade. "Se a situação ganhar, vai ter que ter mais compromisso. Se a oposição ganhar, também vai ser pressionada para que haja, de certa forma, uma política, um projeto político que possa alcançar todas as camadas sociais. O que se tem agora é uma política desenvolvimentista", disse.

Santana espera que as restrições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possam diminuir os efeitos da infiltração das grandes empresas do Estado na eleição. Mas reconhece que esse é um problema que causa danos aos Espírito Santo e que, para ser resolvido, depende de uma reeducação do eleitorado.

"Nós temos a situação no Estado dos grandes projetos, das grandes empresas, que vão interferir no processo eleitoral. Eles querem também ter seus privilégios, com esse processo eleitoral, para que as grandes empresas possam se expandir. Temos uma realidade concreta de dois segmentos da indústria que estão, de certa forma, explorando o Estado do Espírito Santo desenfreadamente, sem nenhum controle do Estado e com um controle muito tímido do governo federal, que é a questão da exploração de mármore e granito que está cavando o Estado todo e a Aracruz Celulose, invadindo todas as regiões do Estado. Isso sem nenhum controle do governo do Estado, através de todos os seus mecanismos, e com um controle tímido do governo federal".

Quanto à sua candidatura, Isaías disse que ela surgiu dos próprios movimentos sociai,s carentes de uma representação no poder público que tivesse ligação direta com as causas sociais. "É eclética. De todos os segmentos da sociedade. Pessoas da classe média, intelectuais... É uma candidatura que vem preencher um vazio que está se perpetuando na Assembléia".