Vitória (ES), edição de 24 de julho de 2006

PM organiza vigília e quer
reabrir DPM na Praia do Canto



Paulo Rogério
Foto capa: Apoena

A Polícia Militar está reorganizando a patrulha na região que abrange as ilhas do Frade e do Boi, Enseada do Suá, Praia do Canto e adjacências. A informação é da Associação de Moradores da Ilha do Boi. A medida é para amenizar a sensação de insegurança ocasionada pelo fechamento de DPMs na região. Segundo o comando da PM, há intenção de reativar as unidades com agentes patrimoniais.

As medidas foram registradas em ata, após audiência entre representantes dos moradores, líderes comunitários e o comandante da PM, coronel Antônio Carlos Coutinho. Um trecho do documento relata que os fechamentos também foram por temor de ataques às unidades em toda Grande Vitória - nos mesmos moldes dos atentados vistos em São Paulo desde maio.

"Antes de finalizar, o coronel enfatizou que o fechamento dos DPMs se deu, também, pela existência da possibilidade de ataque de bandidos aos módulos, podendo ocasionar a morte de um valoroso membro da Polícia Militar, de forma que a reabertura dos mesmos dependeria de localizar no mínimo dois homens em cada módulo, sendo o ideal a colocação de três, como forma de amenizar os riscos".

Reorganização de patrulha

Com o chamado Cartão Programa, PMs da bikepatrulha e duplas do patrulhamento motorizado farão - nos próximos dias - rondas em diversos pontos que abrangem a Avenida Nossa Senhora da Penha (Reta da Penha) e a Curva da Jurema. Mesmo assim os populares reivindicaram a reativação das unidades de vigília. Um novo encontro entrw o comando da PM e as comunidades da região está pré-agendado para os próximos 20 dias, a fim de discutir a eficácia do novo patrulhamento.

Para a reabertura o Estado estaria fazendo gestões visando à contratação de agentes patrimoniais para ocuparem os DPMs, futuramente. A dúvida é sobre quando e como iriam ocorrer estas contratações e se a medida se estenderia a todos os 16 módulos da Capital - e demais desativados na Grande Vitória. O comando geral da PM foi procurado até o fechamento desta matéria e garantiu que daria retorno ainda nesta segunda-feira (24). O coronel Coutinho esteve reunido no período da tarde.

De acordo com moradores das ilhas do Boi e do Frade, Enseada do Suá e demais bairros da região, o custo para manter os tais agentes patrimoniais estaria em torno de R$ 6 mil mensais. Cada destacamento comportaria pelo menos quatro homens, revezados em escalas.

Os moradores temem que proposta de Coutinho não obtenha avanços, uma vez que seria necessário um estudo técnico de viabilidade, projeto de lei para as contratações, processo seletivo e capacitação dos agentes.

Toda a Grande Vitória conta com 28 destacamentos na região - 16 em Vitória, seis em Vila Velha, um na Serra e cinco em Cariacica.

Há quase 12 dias a informação da PM é que o Estado não arcaria com o ônus do serviço de vigilância patrimonial, mas que a corporação atuaria junto com prefeituras e comunidades para recuperar os locais de outra maneira - como pontos de assistência médica, jurídica ou social.

   

PM queria guardas municipais nos DPMs

De acordo com a ata da audiência, o coronel Coutinho tem a intenção de conseguir apoio da prefeitura de Vitória para buscar uma solução temporária na cidade.

"(...) os DPMs poderão ser abertos no futuro, e para tanto a Polícia Militar já está fazendo gestões junto à prefeitura de Vitória para manutenção da Guarda Municipal nos módulos, até que o governo do Estado contrate Guarda Patrimonial para abertura permanente dos mesmos" - de acordo com o documento.

Por meio da assessoria de comunicação, a Guarda Municipal informou a Século Diário que a prefeitura não tem condições de disponibilizar guardas municipais para vigilância fixa nos módulos. A prefeitura foi procurada há quase três semanas para falar sobre o assunto e deu a mesma resposta aos representantes do Estado.

A Guarda Municipal já atua junto com a PM no compartilhamento de dados, por meio do Centro Integrado de Operações e Defesa Social (Ciodes), na vistoria de bares e com a divisão de um canal de comunicação através de radiocomunicadores. Cento e quarenta e dois homens da Guarda atuam nas comunidades e 215 fazem diligências no trânsito da Capital.