Estão realmente uma bagunça as relações entre sindicatos e federações. O setor primário, que é o pessoal do campo, mantém a antiga estrutura. Os sindicatos de serviço e de produção inovaram, mas inovaram só na cabeça deles. Continuam soltos sem ligações necessárias com as centrais sindicais. Abandonaram federações, mas não conseguiram encaixe numa nova estrutura.
Já o pessoal do campo está lá com a estrutura antiga. Mas está funcionando. E ainda se ligam nas centrais sindicais. O que causa estranheza é o que ocorre realmente com o setor de produção e de serviços. Ninguém sabe nada, não ocorre nada, eles ficam por conta somente de suas áreas. Eleição em seus sindicatos só se conhecem por intermédio da divulgação da chapa eleita.
E aí é aquele resultado comum entre os sindicatos: renovam diretorias sem precisar da base. Não há mais disputa. Eles vão se mantendo por falta de opção. Ora, se não mobilizam a base, não há reações, muito menos oposição. Ainda mais em setores de trabalho super bem ocupados. A exemplo dos metalúrgicos, para ficar somente num caso.
Estão contribuindo para tirar a classe trabalhadora do contexto social e político. Estou falando de Espírito Santo, que é o meu campo de apreciação. Mas nos outros estados, tirando São Paulo, pelo que sei, é muito parecido com que ocorre aqui no Espírito Santo.
Hoje eles descobriram uma artimanha para permanecer nos sindicatos por tempo indeterminado. Mexendo nos quóruns das eleições. Fazem as chamadas assembléias, geralmente mal convocadas, alteram o quórum e vão ficando no sindicato. Quando não são os mesmos dirigentes, são novos dirigentes da mesma corrente política. Camisa do mesmo time.
Está ai esse balaio de gatos. Até os bancários, pelos quais nutro respeito pelos resultados em favor da categoria, também entraram nessa de chapa única. Até tu, bancário! Pois é. Até bancários. Estou fazendo esse alerta certo de que estão cavando uma sepultura para o movimento sindical no Espírito Santo, onde estão sediadas megasempresas transnacionais destruindo a organização do trabalho com suas tercerizações de mão-de-obra.
Está na hora de pisar no freio para uma boa arrumação. Ou caem na realidade da reforma sindical ou ela vem com uma receita pronta de bolo por parte do governo. Momento realmente ruim para a classe trabalhadora.
|