Ao chamar para si a tarefa de eleger o deputado federal Renato Casagrande para o Senado, o governador Paulo Hartung está indo na contramão da voz da rua, que é Max Mauro. A maioria dos candidatos proporcionais já constatou essa preferência pelo Max, bem como os prefeitos e lideranças no interior do Estado.
O que vai obrigar o governador a colocar toda a sua vitalidade eleitoral para eleger Casagrande senador. Até porque a mesma massa que ruge por Max ruge também por ele para o governo. Se não fosse esse episódio isolado do Max, a eleição para ele seria um mar de rosas. Ele estaria de posse total do seu controle. Mas, com a disposição colocada a serviço da candidatura de Casagrande para o Senado, ele vai ter que participar de uma batalha eleitoral.
E numa batalha atípica. Pois ela não está numa linha direta de confronto com ele. Ele é meramente o padrinho num duelo desigual do apadrinhado. Diante desse quadro, a sua tarefa principal será a de desligar o seu o nome do Max das intenções de votos do eleitorado. Um processo, convenhamos, típico de desmecanização, exigindo, para o seu êxito, que ele passe o dever de casa para os seus prefeitos e também para os seus candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembléia Legislativa.
Só que essa disposição de salvar a candidatura de Casagrande para o Senado o aproxima muito da jaula do tigre. Pode até não ser comido pelo tigre, mas pode muito bem se machucar nessa arriscada manobra eleitoral.
Mas também há um outro lado da moeda. Ele não está de bobeira nessa empreitada de alto risco. Pois, se conseguir eleger Casagrande para o Senado, livra-se do mais perigoso adversário. O único, inclusive, capaz de instalar uma oposição de fato contra o seu governo, colocando em risco um projeto de poder bem concebido e previsto para durar 20 anos. Só que quem tem um projeto deste tamanho para zelar no Espírito Santo não deve ignorar que a virilidade política do Max está justamente no voto espontâneo. Vale então dizer que não é uma simples caça de raposa, mas de um tigre. E que tigre! Feroz por natureza.
Fragmentos
1 - Os grupos radicais do PT no Estado, que controlam o partido, acabaram de cometer mais uma insensatez política. Impediram que o economista Guilherme Lacerda, que atua no primeiro escalão do governo Lula, como presidente do poderoso Fundo de Pensão da Caixa Econômica, fosse o suplente de senador do Renato Casagrande.
2 - Agiram, como habitualmente agem, pelo isolamento da corrente petista no Estado, à qual pertence Guilherme, Unidade na Luta. Colocaram na suplência de Casagrande uma ex-vereadora de Vila Velha, Ana Rita, que pertence à Articulação de Esquerda, da deputada Iriny Lopes e do prefeito João Coser. Comandaram a degola do Gulherme na reunião que decidiu a suplência a Iriny e o deputado estadual Cláudio Vereza.
3 - A que ponto eles chegam no controle do partido, de trocar um nome de lastro nacional, como o do Gulherme, figurando, inclusive, como um provável ministro se houver um novo governo do Lula, por uma desconhecida petista, cujo universo não vai além de um mandato de vereadora em Vila Velha. Não há qualquer senso tático num PT comando pelas correntes radicais, que se protegem o tempo todo da corrente do presidente Lula no Estado.
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