Primeiro veio o convênio com a Petrobras, uma estatal, e ninguém falou nada. Depois, veio a transnacional CVRD oferecendo dinheiro e também ninguém disse coisa alguma. E vem a Aracruz Celulose, com 30 dinheiros. Agora, sim, a empresa encontrou resistência.
Felizmente, o que foi tramado nos bastidores - leia-se: na cúpula da universidade - foi descoberto a tempo, e houve como impedir que, na surdina, em plenas férias acadêmicas, o Conselho Universitário aprovasse um "protocolo", como chamam convênio da universidade com a poderosa transnacional Aracruz Celulose.
Como resultado desta intensa, embora curta, mobilização, houve uma pequena folga para os que, legitimamente, se opõem e vão se opor ao pacto, convênio, protocolo ou seja lá como for chamado o acordo entre a Ufes, instituição pública, com a transnacional Aracruz Celulose, empresa que mais passivo social tem no Espírito Santo, além de promover grandes prejuízos ambientais e econômicos ao Estado.
Pois não é a Aracruz Celulose a mesma empresa que tomou a força ou com criminosa sedução - há sangue humano nos seus rastros durante sua instalação, feita com favores da ditadura militar - territórios quilombolas no norte do Estado, totalizando 50 mil hectares? E igualmente se apropriou à força de terras indígenas, 40 mil hectares, dos quais o próprio governo federal reconhece serem indígenas 18.070 hectares, e destes a empresa "legalmente" mantém em seu poder 11.009 hectares?
Pois não é a Aracruz Celulose a empresa recentemente condenada pelo Tribunal de Contas da União por ter se apropriado de recursos federais, em manobra ilegal e imoral contra a Adene?
Não é a mesma empresa que teve e recebe favores de todos os governos da República, inclusive os recursos para sua instalação e expansão, recursos oriundos até mesmo do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT, como os obtidos no ano passado?
Pois o que falta à empresa tão poderosa?
Falta legitimidade acadêmica para seu projeto ambientalmente irresponsável, socialmente injusto, e economicamente contrário aos interesses do Brasil.
É para isso que, com os 30 dinheiros da figura bíblica - segundo o tal protocolo com a Ufes a transnacional Aracruz Celulose destinaria à universidade exatos R$ 250 mil para financiar projetos escolhidos segundo seus próprios critérios - a empresa quer comprar sua legitimidade acadêmica.
Que se alertem os burocratas da Ufes que, com mandatos temporários na administração e brandindo os históricos argumentos da falta de recursos, se dispõem a aceitar os 30 dinheiros da Aracruz Celulose.
Se alertem porque:
1) a história julga com severidade os traidores, e a Ufes é uma instituição pública, que deve atender aos interesses de quem paga suas contas, que é a comunidade;
2) Porque a sociedade, à frente a comunidade acadêmica, não pode, não deve e não vai permitir que no dia 10 próximo, quando discute o assunto, o Conselho Universitário legitime o que foi tramado na cúpula da universidade, entre outras razões.
A comunidade, que deve ainda exigir a revisão do acordo da Universidade com a transnacional CVRD. Pois esta empresa é a maior poluidora do ar na Grande Vitória, e a poluição afeta a saúde de mais da metade da população e custou cerca de R$ 4 bilhões aos moradores para tratamento das doenças que provoca, cânceres inclusive.
E deve discutir até mesmo o protocolo com a Petrobras, embora aqui se ressalve que se trata de uma empresa ainda brasileira. Mas, ainda sim, há que se ver com cuidado os termos deste acordo. E rejeitar o convênio, se for o caso.
Tais "protocolos" como o da CVRD e Aracruz Celulose só interessam, e sabe-se lá como, a gatos pingados entre os burocratas.
É um desserviço ao Espírito Santo e ao seu povo.
Por isso devem ser discutidos, denunciados e rejeitados!
E a hora é agora.
Contato:
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