A diferença salarial entre contratados diretos e indiretos da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) chega a 65,6%. Os dados foram levantados por trabalhadores que atuam em diferentes áreas da empresa onde há pelo menos 15 contratadas fixas de manutenção e operação. O sindicato que representa cerca de 80% dos empregados efetivos destacou a defasagem de 23% nos salários, desde a privatização.
Na área operacional, um empregado direto que atue no setor de mecânica e manutenção recebe R$ 1.171,00, enquanto um terceirizado com as mesmas atribuições ganha R$ 700,00: diferença de 40,2%.
Os técnicos industriais da companhia são remunerados entre 1,8 mil e R$ 2,5 mil. Já o salário dos técnicos das contratadas dificilmente passa dos R$ 860,00. Neste caso a diferença na remuneração entre efetivos e terceirizados varia entre 52,2 e 65,6%.
Para quem pensa que a situação dos empregados diretos é confortável, o Sindicato dos Ferroviários do Espírito Santo e Minas Gerais (Sidfer-ES/MG) constatou que os funcionários da companhia estão com salários defasados em 23%, nos últimos nove anos.
Aproximadamente 4,4 mil desses trabalhadores teriam de receber R$ 12,144 milhões de uma só vez - além de reajuste posterior em mais de 20% nos vencimentos.
"Desde quando a empresa foi vendida os salários não param de cair. Se tomarmos a média de R$ 1,2 mil de remuneração para o pessoal de produção, operação e mecânica, constatamos que todos estão com perda real acumulada de pelo menos 2,3 salários (algo em torno de R$ 2.760). Para que houvesse a equiparação com o que era pago até 1997, a Vale teria ainda que reajustar os salários em 23%", explicou o presidente do Sindfer, João Batista Cavaglieri.
A entidade se queixa do fato de os funcionários não possuírem um Plano de Cargos e Salários.
"Antes da privatização os empregados eram divididos em diferentes níveis. Os empregados vislumbravam a possibilidade de crescimento na companhia. Hoje não, a coisa é completamente diferente. Você entra lá como técnico eletricista e sai técnico eletricista, não importa quantos anos você trabalhe. Se a empresa seguisse com a mesma linha, de quando era estatal, os empregados teriam mais ânimo para exercer suas funções", disse o presidente do sindicato.
Foi-se o tempo quando muitos trabalhadores até mudavam de carro zero, um ano após o outro. Atualmente tal sonho de consumo, na mesma periodicidade, é praticamente impossível.
"Quem tem, por exemplo, entre 25 e 30 anos de casa está um pouco mais aliviado com R$ 3 mil no bolso todo mês. Aqueles que querem ganhar mais têm que quase dobrar suas escalas" disse João - algo entre 12 e 14 horas de trabalho corrido.
Nesta segunda-feira (31) os empregados da companhia se reuniram em diferentes assembléias, ao longo do dia, para discutir a contraproposta da empresa a respeito da campanha salarial deste ano.
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