"A verdade é o nosso mais precioso bem. Vamos economizá-lo."
(Mark Twain)
Numa pequena sala no Centro de Vila Velha - pequena porque o maior espaço é reservado para um razoavelmente grande auditório - aconteceu esta entrevista, no último dia 29. À espera do nosso entrevistado, Vasco Alves, vimos pela janela uma verdadeira paisagem mutante.
Dentro de alguns minutos, estaria ali, para falar sobre eleições 2006, o ex-prefeito de Vila Velha, ex-prefeito de Cariacica e ex-deputado federal. No auditório, entre idas e vindas, esperavam por ele quase dez pessoas. Na sala, um vilavelhense proprietário de uma auto-escola, candidato a deputado estadual, que tentou se pronunciar durante a entrevista por cinco vezes.
Por razões editoriais, o formato entrevista obedece ao padrão clássico de perguntas e respostas. Século Diário, com a ajuda de seu maior termômetro, o público-leitor, acabou sentindo que o tempo suficiente e producente da entrevista dura entre 15 e 20 minutos. E que, principalmente, não se trata do formato debate ou mesa-redonda-on-line. O entrevistado escolhido é o personagem.
Vasco estava fisicamente cansado. Talvez, segundo ele, "de tanto visitar o interior". O celular do candidato a deputado federal tocou, pelo menos, oito vezes. Tanta procura o deixou um pouco sem graça, mas compreendemos. Ele foi um pouco monossilábico, por volta dos sete minutos de entrevista. O telefone convencional tocou pela terceira vez.
Explicamos que ele teria mais tempo para falar, o que o deixou mais à vontade para dizer, por exemplo, que as eleições de 2006 não terão sede de renovação, mas que serão difíceis. "É que a corrupção está institucionalizada", diz ele. O leitor também vai conferir o que Vasco Alves disse sobre o PT e sobre a "insistência" do pré-candidato a governador Sérgio Vidigal junto ao PMN.
Se cada pausa nessa entrevista correspondesse a um novo reduto eleitoral do PMN, Vasco já estaria eleito. O amigo dele, candidato a estadual, logo se disse ofendido porque Século Diário, desde agosto, só convida para a entrevista de final de semana "os mais conhecidos" na cena política. "Queremos uma chance também", disse ele, uma ilustre incógnita no Estado, mas com chances de um dia vir a ser parlamentar.
A simpatia de Vasco não o deixou esquecer de falar em dois "Josés": o Carlos Gratz e o Inácio. Isso, claro, para valorizar o seu atual ícone político no Estado, o governador Paulo Hartung, e dizer que este é diferente daqueles. Ora, com essa o PMN parece que já bateu o martelo. O mundo é que ainda não sabe.
Século Diário: - Qual o caminho que o PMN vai seguir nas eleições deste ano?
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Foto: Rodrigo Melo
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Vasco Alves: - Essa eleição marca dois momentos em relação ao PMN. O primeiro é a cláusula de barreira. O partido tem que conseguir um posicionamento nessas eleições ou eleger seis deputados em Estados diferentes para garantir sua sobrevivência. Então, por outro lado, em face de toda a problemática brasileira, essas eleições serão realmente um marco, no sentido do que nós queremos para o nosso Brasil. Um rumo no sentido do avanço democrático, da construção de uma sociedade mais humana, mais fraterna. O Brasil vai passar por momentos tortuosos, como já está passando, no campo da corrupção, no campo da violência e vários problemas que vão se juntar a estes. Então, é uma eleição importantíssima nesse contexto. No Espírito Santo, o partido vai marcar sua posição. Lançamos um manifesto há pouco, conclamando a população a faxinar o Brasil, a melhorar a qualidade política do País... As coisas estão insuportáveis. No Espírito Santo, nós estamos traçando um caminho nosso. Há uma forte tendência de o partido apoiar o governo Paulo Hartung. O partido está discutindo nesse sentido. É um assunto ainda não definido. Para o Senado, vamos lançar o desembargador (Antônio Miguel) Feu Rosa. Para deputado federal, temos uma chapa. Meu nome está colocado... E temos também uma grande chapa para estadual.
- Há a possibilidade também de o PMN dialogar com o outro lado, ou seja, com o candidato pelo PDT, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal?
- Há. Há esse diálogo, sim. Estamos conversando. O ex-prefeito Sérgio Vidigal tem procurado insistentemente o partido e o partido não se furta a conversar, até porque não é um assunto definido e encerrado. Então, estamos no campo das decisões.
- Existem outros bons nomes participando para federal. Mesmo assim o senhor considera com uma certa folga para disputar? Quais são suas chances?
- Olha, folga eu não diria. É uma disputa, meu nome está colocado, vamos trabalhar, sabemos que é uma eleição disputadíssima, mas temos que enfrentar. É um desafio. Diria que não tem folga, mas é difícil. O poder econômico prevalece. No Brasil se criou uma corrupção legalizada. Então, os partidos grandes aparecem o ano todo na televisão. Nós, os pequenos, não. Eles estão na mídia o tempo todo. Esse é um bom mecanismo. Muitos parlamentares têm muitos recursos, dinheiro para gasolina, enquanto eu me transporto para o interior com meu recurso, com dinheiro do meu bolso, muitos parlamentares têm recurso para isso. Então, é muito difícil, principalmente para quem não tem 'máquina'. Pelo menos, aquelas bandas que vinham encher os olhos da população saíram, mas Magno Malta criou a banda Tempero do Mundo. Max Filho associou o nome dele à banda Casaca... Reginaldo Almeida, à banda de Lauriete... Até um vereador de Vila Velha tem uma banda... Então, para você ter uma idéia, as coisas são assim.
- Muito diferente de quando o senhor foi deputado?
- Claro que sim. Eu não tinha dinheiro para gasolina. Eu nunca tive um tostão para gasolina. Hoje, é muito diferente. Hoje, eles legalizaram, institucionalizaram a corrupção eleitoral, quebraram um princípio fundamental que é a igualdade da oportunidade. Por exemplo, esse cidadão aqui (ao lado) é candidato a deputado estadual. Ele nunca apareceu na televisão. Outros concorrentes estão aparecendo direto...
- Quais são os outros nomes?
- Ah, são muitos.
- O senhor arriscaria um número? Uns trinta?
- É, isso aí. Uns trinta nomes.
- Espalhados pelo Estado ou mais da Grande Vitória?
- De todo o Estado.
- Como é que está o PMN no interior?
- Está bem. Temos bons nomes pelo interior, temos andado muito pelo Estado, muito mesmo. Um dia estamos em Colatina, outro em Mimoso, outro em Alegre, outro em Bom Jesus, Itapemirim, Kennedy, Cachoeiro... O partido hoje está mais procurado porque está mais bem estruturado.
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Foto: Rodrigo Melo
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- E as alianças?
- Estamos estudando.
- E as probabilidades?
- As probabilidades, eu não saberia lhe dizer hoje. Temos PDT, mas não está claro. Nossa ligação com PT, PSB... Temos também o PMDB, mas nada está certo. O partido está definindo. Consideramos importante que o partido ouça o conjunto de candidatos a deputado federal e estadual e ao Senado. Há duas possibilidades de o partido se aliar a dois grupos. A primeira, do governador Paulo Hartung. A segunda, do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal. Ah, e o terceiro grupo, que é PT, PSB, PCdoB... que, em princípio, colocou o nome do deputado Cláudio Vereza para governador, mas, nos últimos dias, isso não está tão confirmado. O PMN está fazendo reuniões com esses grupos, esses partidos, vendo a tendência de cada um, o lugar de cada um. Tivemos informações que o PTB está indo para o PSDB e o PFL. Nós estamos um pouco atrasados nisso. Já deveríamos estar mais ou menos fechados.