No último dia 26 de maio, a sonoridade da música nacional perdeu um dos seus instrumentistas mais significados. Nascido em 1918 e batizado Horondino José da Silva, na rua Horestes, bairro do Santo Cristo, Rio de Janeiro, o violonista da foto ao lado (clicada por Leo Aversa em 2003) tornou-se conhecido pelo codinome Dino 7 Cordas.
Dino 7 Cordas faleceu devido a problemas de saúde que culminaram numa pneumonia aos 88 anos. Estava internado desde o dia 09 de maio.
Antes mesmo da sua morte, já estava marcada um show para essa semana, pretendendo arrecadar fundos para custear o tratamento do violonista. O evento que vai acontecer nesta terça-feira (30), no Rio de Janeiro irá reunir de Paulinho da Viola e a Beth Carvalho, passando pelo chorinho do Época de Ouro e servirá como homenagem póstuma.
Confira aqui trechos de depoimentos que diversos instrumentistas cederam à pesquisadora Nana Vaz de Castro em 2001, publicado no site Clique Music.
Raphael Rabello
"O violão de 7 cordas foi idealizado por 'Tute' no início do século XX. Tute era violonista do conjunto 'Os Oito Batutas', liderado por Pixinguinha. No estilo 'choro', o violão se caracteriza por frases de contraponto geralmente em escala descendente, utilizando-se somente as cordas graves. Daí o nome 'baixaria'. Tute sentia necessidade de algumas notas mais graves, daí a idéia de colocar uma corda a mais nos bordões. Ele idealizou, desenvolveu e tocou o '7 Cordas' até 1950, quando faleceu. Nesta época o violonista 'Dino', integrante do conjunto de Benedito Lacerda, resolveu continuar a idéia de Tute. Ele não só continuou, como criou uma maneira mais técnica e pessoal de tocar, praticamente reinventando o instrumento. Dino foi o principal divulgador do 7 cordas. Influenciou várias gerações de violonistas. Juntamente com Meira formou a mais duradoura dupla de violões do Brasil (45 anos juntos). Eu me situo na mesma dinastia do 7 cordas: De Tute a Dino e Dino a Rafael."
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Foto: Divulgação
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(Texto escrito por Raphael Rabello aos 15 ou 16 anos. Manuscrito gentilmente cedido por sua irmã Luciana Rabello)
Mauricio Carrilho
"Dino deu a maior contribuição no violão de sete cordas. Ele estabeleceu definitivamente o papel dos dois violões na formação regional. Dino começou a tocar o sete cordas na década de 50, e acho que ele foi desenvolvendo essa linguagem, e nos anos 60 estava na auge. Tem uma gravação que eu particularmente considero um divisor de águas. É um disco de 1964, do Altamiro Carrilho, chamado Choros Imortais. No repertório tem muitas músicas do Pixinguinha, sem o Pixinguinha tocando, e o Dino faz o contraponto, de uma maneira que eu considero um marco. Nessa época ele já usava a sétima corda de uma forma mais doce, mais macia, menos metálica."
(Mauricio Carrilho integrou a Camerata Carioca e faz parte d'O Trio, tem um violão Sugyama e é um dos poucos a afinar a sétima corda em si)
Paulão 7 Cordas
"O Dino tem que ser referência porque tocou desde com Francisco Alves até Zeca Pagodinho. Ele moldou o estilo de tocar o instrumento. Como o sete cordas não tem muito método, todo mundo tem que ouvir as gravações dele. Dino tem uma importância fundamental para todos os violonistas. As variações rítmicas que ele faz na baixaria são incríveis, ele nunca faz da mesma forma. Algumas gravações me marcaram, como a de Dama do Cabaré, do Orlando Silva, ou Receita de Samba, do disco Vibrações [Época de Ouro e Jacob do Bandolim]. Quando as pessoas perguntam pra mim como devem estudar violão de sete cordas, eu respondo que devem ouvir Vibrações, Choros Imortais I e II [Altamiro Carrilho] e os dois discos do Cartola da Marcus Pereira. Está tudo ali."
(Paulão 7 Cordas é diretor musical de Zeca Pagodinho e da Velha Guarda da Portela e tem um sete cordas Do Souto e um do luthier José Chagas)
Marcello Gonçalves
"Acho que a maior lição do Dino é que ele consegue a façanha de se destacar sem nunca invadir o espaço dos outros instrumentos ou do cantor. Ao contrário, ele os valoriza. Suas gravações são clássicas não só porque ele toca muito bem, mas porque ele faz os outros tocarem e cantarem melhor."
(Marcello Gonçalves é integrante do Trio Madeira Brasil e recentemente gravou um disco com o cavaquinista Henrique Cazes)
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