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Foto: Divulgação
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A primeira vez que o músico Tom Zé se apresentou em Vitória foi em 1970 no Sesc, com a participação do "saudoso" (nas palavras do próprio tropicalista) Gonzaguinha. O último foi no Carlos Gomes, dentro do Projeto Pixinguinha. A data exata não lhe vem à memória.
O certo é que um dos mais inventivos músicos do Brasil chega à Capital do Estado para apresentação única neste sábado (10), em show que celebra o disco "Estudando o Pagode - Segregamulher e Amor", lançado no ano passado pela gravadora Trama. A apresentação será no Teatro Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo.
Tom Zé chega à cidade acompanhado de Lauro Léllis (bateria), Cristina Carneiro (vocal, teclados), Jarbas Mariz (vocal, cavaquinho), Sérgio Caetano (vocal, guitarra), Daniel Maia (vocal, baixo) e Luanda (vocal).
Em entrevista ao Século Diário, Tom Zé fala um pouco mais da carreira, das impressões e o tipo de música que ainda ouve em casa.
Século Diário: Nesse mundo tão agitado em que estamos, qual é o seu "tempo"? É fácil conciliar o tempo da filosofia com o tempo pretendido pelo mercado?
Tom Zé: Essa pergunta me mostra que eu tenho até uma convivência aceitável com/entre o que você chama de filosofia e o mercado. Eu trabalho para um mercado que não se mercantiliza.
No documentário "Tom Zé ou Quem irá colocar uma dinamite na cabeça do século?", que foi exibido esta semana em Vitória, um dos entrevistados afirma que você é um artista que não tem medo. O medo é capaz de guiar alguns passos seus?
Você tem razão e o maestro está errado. Eu tenho medo. É por isso que tenho alguns gestos corajosos.
Alguns afirmam que a arquitetura é o trabalhar com o vazio. A música é trabalhar mais com o som ou com o silêncio?
Como eu não ouço música e tenho horror a música acabo trabalhando muito com o silêncio.
Não se trata de uma simples "boutade" extravagante: como em música eu sou "japonês" e não gênio, não posso ouvi-la porque mal tenho tempo de produzir meia dúzia de compassos, trabalhando doze horas por dia. O gênio, não: o gênio recebe a musa que lhe oferece a inspiração e pronto.
Rótulos como "músico de vanguarda" ou "experimentalista" te agradam? Existe uma preocupação para que as pessoas "entendam" sua música?
Não posso escolher o que me agrada, tenho de me satisfazer com o que me oferecem. Existe uma preocupação, sim, mas eu sou treinado em jogar um anzol no cognitivo das platéias e incitar nelas a "felicidade" do raciocínio.
Você compôs "Companheiro Bush". Lançaria uma, assim vamos brincar, "Companheiro Lula"? Você tem opinião pública a respeito do governo?
Não só a respeito do governo, mas me preocupo também com o "silêncio dos intelectuais"; com a pesquisa da MTV na qual a juventude disse que era hedonista e não se preocupava com a sociedade. É claro que eu tenho opinião sobre esse desgoverno. Mas é muito difícil dizer isso em duas palavras.
Você ouve que tipo de música em casa?
Não ouço nada. Estou trabalhando em música o dia inteiro, para fazer um disco que deve ser lançado em outubro, nos meus 70 anos. Mas em tempos normais tenho uns três rádios aqui em casa que ficam ligados na Rádio Cultura FM de São Paulo que toca apenas a chamada música clássica. Não ouço esse tipo de música por elegância ou esnobismo. É que como eu concorro com os artistas que fazem música popular fico muito ansioso quando os ouço e em vez de me distrair fico me acabando de inveja de meus colegas, que geralmente são melhores do que eu.
O que está lendo por agora e por onde navega na Internet?
Li o livro de Mário Faustino, "Poesia-Experiência", que comenta a obra de vários poetas e, na semana passada, li Shelley, Yeats e João Cabral. Ainda não sei navegar na Internet, mas faço muitas consultas ao Google.
Saiba mais!
Serviço
Tom Zé apresenta show do disco "Estudando o Pagode - Segregamulher e Amor", neste sábado (10). Teatro Universitário da Ufes, Av Fernando Ferrari, campus de Goiabeiras, Vitória. R$60 (inteira) e R$30 (meia). Ingressos à venda no local.
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