Nova ordem sindical




Caetano Roque da Silva


O desentendimento entre as instituições traz para a sociedade uma visão confusa de suas prerrogativas. É o caso da disputa entre o Cade e o Sindialimentação, no caso Garoto-Nestlé.

O Cade no início teve uma das decisões mais corretas de sua existência, que foi o bloqueio da venda da Garoto para a Nestlé, evitando assim o monopólio nesse setor. E o Cade tinha razão. Quem comeu o antigo bombom da Garoto e o que é vendido hoje pela Nestlé sabe a diferença no sabor e no custo.

Naquele momento o sindicato tomou um posição em defesa da Nestlé, defendendo a venda da empresa. Mas o Cade retrocedeu na sua decisão, autorizando a venda fracionada. O seja, de alguns setores e marcas da empresa, oficializando a terceirização.

Isso deixa a preocupação sobre o papel do Cade, que de uma posição correta passou a uma que traz muito mais desemprego e abaixa a qualidade do produto. Não se sabe se o Conselho está defendendo o direito da população ou se está fazendo o jogo político e econômico da multinacional.

Papel bonito fez o Sindicato, que de uma posição incorreta de defender a venda para a Nestlé passou a lutar pela permanência da empresa no Estado, inteira. E conseguiu. Na semana passada o Sindicato conseguiu na Justiça a permanência da Garoto no Espírito Santo. A Justiça considerou improcedente a tentativa da multinacional de vender a Garoto aos pedaços.

Mas vale ressaltar que desde o início a luta do Sindialimentação era pela empregabilidade dos funcionários da Garoto. O que importava era que os funcionários continuassem trabalhando, não importando quem fosse o dono da empresa capixaba. Naquele momento, a questão monopólio não foi avaliada a fundo pelo sindicato.

Isso reforça o pensamento de que os sindicatos precisam de uma nova ordem, busquem se inteirar com as demais instituições públicas no sentido de resguardar os direitos da sociedade, não só os dos trabalhadores. Buscar garantia de políticas públicas de qualidade, que beneficiem a sociedade como um todo.

Isso terá reforço com a reforma sindical, que mudará essa política sindical nefasta que fica sempre na dependência do poder normativo da Justiça.

Preparem-se, sindicatos!