Definitivamente, não há na prefeitura de Vitória gente qualificada para promover mudanças no trânsito da cidade. Ao que parece, os responsáveis pelo setor imaginam que Vitória já não tem problemas sérios para resolver nessa área e pode suportar mudanças radicais feitas sem qualquer planejamento.
O que se viu na manhã desta segunda-feira (5), ao longo das principais artérias que levam ao Centro, é o retrato fiel da improvisação, do descalabro administrativo, da irresponsabilidade. Da incompetência, enfim, geradora da desordem urbana que vem imperando na cidade.
Quem veio da Serra para trabalhar, estudar ou cumprir outros compromissos, padeceu mais de uma hora nos engarrafamentos que se formaram em toda a orla de Camburi, na Reta da Penha e nas principais vias dos bairros Jardim da Penha e Praia do Canto.
Os guardas municipais estavam perdidos em meio ao buzanaço da revolta. Não sabiam bem o que fazer. Todas as alternativas propostas pela prefeitura, para, supostamente, facilitar o acesso à Enseada do Suá - novo centro administrativo da cidade -, a Bento Ferreira, Jucutuquara, Ilha de Santa Maria e Centro se mostravam impraticáveis.
E ainda surgiram novidades desagradáveis no meio do caminho dos motoristas, como a implantação de mão única - sentido Jardim da Penha-orla de Camburi - numa das ruas mais largas do bairo, a Carlos Lemos, que tinha mão dupla.
Essa rua dava acesso ao Jardim da Penha para quem vinha de Jardim Camburi, pela orla, e poderia ser utilizada para reduzir o fluxo próximo à semi-interditada ponte de Camburi e dar acesso à Reta da Penha. Sem aviso prévio - e utilizando apenas uma plaquinha pequena, quase invisível, indicativa de sentido único -, a prefeitura proibiu entrada à direita.
Deu muito trbalho ao único guarda municipal postado no local, que tinha de se desdobrar para fazer motoristas voltarem do meio do caminho, obedecendo à orientação de mão única no sentido Camburi-Praia do Canto. Só da cabeça de um desmiolado poderia sair idéia tão absurda.
Deve ter sido a mesma cabeça que anteriormente autorizava a Guarda Municipal a multar quem, nas noites dos finais de semana, estacionava no centro da rua para frequentar a Escaldaria, principal ponto de referência naquela trecho próximo à orla. Ali funcionam vários bares de grande movimentação noturna, principalmente nas noites de sábado e vésperas de feriados.
O estacionamento informal entre as duas pistas em nada dificultava o trânsito de veículos. E só era coibido, mediante a aplicação de multas, quando algum morador da área reclamava. Se não havia reclamação, um flanelinha controlava o estacionamento e não havia qualquer problema.
Proprietários de veículos multados no local vão contestar a multa sob a alegação de que todos são iguais perante a lei. Isto porque se algum proprietário notava a presença de um guarda no local tratava de remover seu veículo para alguma das ruas transversais próximas e ra poupado da multa. Quem não tinha essa sorte, recebia em casa a comunicação da multa por "abandono de veículo no meio da via".
Uma arbitrariedade, uma odiosa discriminação. Prática que vai se tornando rotineira na administração petista de Vitória.
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