Um pedido de licença da promotora de Justiça Joana D'arc Calmon Tristão Guzansky adiou o júri dos supostos mandantes do assassinato da jornalista e colunista social Maria Nilce Magalhães., ocorrido em 1989. A intenção do magistrado que presidiria o júri, marcado para a manhã desta segunda-feira (5), é relizar o julgamento a 15 de agosto, quando se reiniciam os trabalhos do Judiciário.
O crime completará 17 anos no próximo mês - restando três anos e 30 dias para prescrever. O juiz Marcelo Jones de Souza Noto prometeu, após o adiamento, trabalhar ao máximo para que isso não ocorra.
Na sexta-feira (2), no final da tarde, de acordo com funcionários do Fórum, a promotora Joana D'arc requereu licença nos dias 5, 6 e 7 deste mês das suas responsabilidades ligadas à Justiça. Ela fez o pedido à Procuradoria de Justiça para acompanhar a filha em uma cirurgia marcada para ocorrer neste período.
Junto com o pedido de licença, como consta no processo, há uma cópia da licença médica cedida à promotora - assinada na quinta-feira (1) pelo otorrinolaringologista Dan Ferreira Medonça. Nesta segunda a promotora não compareceu ao Fórum Muniz Freire, em Cidade Alta. Entre curiosos, parentes dos acusados, da vítima (o viúvo, jornalista Djalma Magalhães e o filho do casal) e advogados, 90 pessoas tomavam a sala de audiência.
O outro representante do Ministério Público Estadual (MPE) presente no julgamento, promotor Mauro Luiz Duarte Gazzani, comentou que é humanamente impossível estudar quase 4,5 mil páginas do processo em apenas um dia - Gazzani ficou sabendo do requerimento no mesmo instante em que o julgamento começaria. Ao todo são 11 volumes, cada um com 400 páginas, em média.
Mauro Gazzani declarou que vai levar o pedido de adiamento feito por Joana D'arc à Corregedoria, para que seja analisada a necessidade do pedido de dispensa médica.
Todos os acusados compareceram no local: o empresário José Alayr Andreatta, acusado de ser o mandante do assassinato; os policiais Romualdo Eustáquio Luz Faria, o Japonês, e César Narciso da Silva, executores; e Marcos Egydio Costa, suspeito de garantir fuga aos acusados da execução.
Entre eles somente o último réu está preso, por determinação da Justiça. A intenção dos advogados de defesa é desmembrar o julgamento, para ampliar o tempo de defesa dos réus - 40 minutos para cada, ao invés de duas horas de júri para defender todos.
Maria Nilce tinha 48 anos de idade quando foi morta, na manhã do dia 5 de julho de 1989. Ela estava em companhia de uma dos quatro filhos, Milla Magalhães. As duas chegavam em uma academia de ginástica na Praia do Canto, Vitória.
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