Vitória (ES), edição de 05 de junho de 2006
Ponte de Camburi: 1º dia útil de
interdição leva o caos ao trânsito



Anderson Cacilhas
Foto capa: Ricardo Medeiros

Fotos: Ricardo Medeiros

Uma pequena ponte, que cotidianamente passa despercebida aos olhares da maior parte da população da Grande Vitória, causou, no primeiro dia útil de sua interdição, o caos no trânsito e atrapalhou o deslocamento de milhares de pessoas na manhã desta segunda-feira (5). Trata-se da ponte de Camburi, parcialmente interditada desde sábado (3) para reforma e ampliação, responsável por quilômetros de engarrafamento na zona norte da cidade.

Quem teve de sair dos bairros continentais de Vitória e Serra em direção à ilha teve que ter muita paciência. O congestionamento começava na altura da Reta do Aeroporto e se espalhava por diversas artérias da cidade, como as avenidas Norte-Sul, Dante Micheline, Fernando Ferrari e Adalberto Simão Nader e ruas de acesso à ponte Ayrton Senna.

Dentro de Jardim da Penha, o trânsito esteve parado durante quase toda a manhã nas praças Frigério Furno (Epa) e Wolghano Neto (Carone). A avenida Comissário Otávio de Queiroz estava completamente engarrafada por volta das 8 horas e muitos motoristas reclamavam da falta de sinalização indicativa das mudanças no sentido de algumas ruas do bairro, efetuadas pela prefeitura justamente para amenizar os transtornos já previstos.

Muita gente desistiu de continuar, estacionou o carro e preferiu seguir a pé para o trabalho. O percurso entre o Bairro de Fátima e a Praia do Canto, que geralmente é feito em 25 minutos, era feito em 1 hora e 20 minutos por volta das 9h30.

Apesar de não ter sido interditada totalmente, muitos motoristas preferiram fugir da ponte de Camburi prevendo a dificuldade para atravessá-la, já que fluxo ocorria em pista única. O fluxo se intensificou nas vias internas de Jardim da Penha e no corredor Fernando Ferrari, que já é normalmente complicado. As pontes da Passagem e Ayrton Senna foram indicadas como alternativas pela própria prefeitura, mas o fluxo no horário de pico ultrapassou a capacidade das vias, o que não impediu que a Dante Michelini também sofresse os efeitos da interdição.

Apesar dos transtornos, o taxista Alcides Simão da Silva está otimista. Ele acredita que o problema foi pior em decorrência de ser o primeiro dia útil das mudanças. "A cidade estava ainda acordando e os motoristas não se entenderam com as mudanças. Com o tempo nós vamos nos ambientando. A obra é necessária e os agentes de trânsito vão ajudar a amenizar esses problemas temporários", disse.

Já o representante comercial Marcelo Machado reclamou da sinalização. "Tem que melhorar a sinalização. Mudou o trânsito e as pessoas ficaram perdidas. Já estou evitando usar a Dante Micheline. A ponte é importante e já está precisando até de outra", ressaltou Machado, que considera a quantidade de carros nas ruas a causa maior dos transtornos. Ele explicou que as pessoas usam o carro porque os ônibus são péssimos.

Pensando nisso, a prefeitura tentou melhorar o sistema de ônibus a partir desta Segunda, reforçando o número de veículos em três linhas que servem à Praia do Canto com destino ao Centro da Cidade. Duas destas linhas tiveram seus itinerários estendidos até Jardim da Penha (101 - Praia do Canto / Rodoviária e 202 - Curva da Jurema / Caratoíra via Cidade Alta). A linha 214 (Goaibeiras / Bento Ferreira), que já atende Jardim da Penha, também teve reforço na frota. A medida, porém, parece não ter surtido o efeito desejado.

Quem mora na Serra e na zona norte deve se preparar para mais engarrafamentos no final da tarde e início da noite desta segunda. A situação deve se complicar de forma semelhante à da manhã. A Secretaria de Infra-estrutura e Transportes (Setran) orienta os motoristas com destino à Mata da Praia e Jardim da Penha a utilizarem a rua João da Cruz, na Praia do Canto. A partir daí deve-se atravessar a ponte Ayrton Senna e as rua Ludwik Macal ou Anísio Fernades Coelho.

Para Jardim Camburi e Bairro de Fátima, após a Ponte Ayrton Senna, o motorista deve seguir pela rua Carlos Eduardo Monteiro. Os veículos que partirem da Mata da Praia e Jardim da Penha com destino à Praia do Canto devem seguir pela Rua Anísio Fernandes Coelho e entrar nas ruas Guaraci de Oliveira Assis e Saturnino Rangel Mauro para ter acesso à ponte Ayrton Senna. Se o roteiro é para o Centro ou Jucutuquara, após atravessar a Ayrton Senna o motorista deve seguir pela avenida Rio Branco.

Para a Enseada do Suá, o motorista, após cruzar a ponte Ayrton Senna, deve entrar à direita na rua João da Cruz, à esquerda na rua Dom Pedro II e atravessar a avenida Rio Branco pela rua Afonso Cláudio, indo até a avenida Saturnino de Brito.

Os motoristas têm ainda como opção a utilização do corredor já complicado da avenida Fernando Ferrari, optando por avenidas como a Maruípe, Nossa Senhora da Penha (Reta da Penha) e Leitão da Silva. Essa é a escolha recomendada pelo secretário municipal de Transportes Artur Oliveira Neves.

Obra

A interdição vai durar 50 dias e a obra custará R$ 776 mil. A área interditada é do sentido Praia do Canto-Jardim da Penha. Durante este período, a outra ponte funcionará como mão dupla em pista única.

Após a reforma, a ponte, que tem 88,5 metros de extensão, passará a ter 13,8 metros de largura com três faixas. Serão feitos a recuperação e o reforço da estrutura, que já apresentava o concreto fissurado, falta de manutenção, falhas na execução, o que culminou no comprometimento da segurança da via.