Longe da base




Caetano Roque da Silva


Pegando a eleição dos metalúrgicos, marcada para acontecer por agora, a gente percebe que estão desaparecendo as oposições sindicais. O Sindicato dos Metalúrgicos antecipou as suas eleições da diretoria e ninguém estrilou. Mexeu em toda a legislação eleitoral. Não aconteceu nada.

A falta de oposição está fazendo com que permaneçam as atuais diretorias. Sinal claro da falta de mobilização que se reflete no processo democrático, que deveria ser o cerne da vida sindical. Isto vem de lá de trás. Quando, no regime militar, blocos de esquerda afastaram da vida sindical os pelegos. Acabaram dominando a vida sindical.

Antigamente os blocos de esquerda se batiam nas disputas pelos sindicatos. Atualmente eles compõem e dividem os cargos. E ai, meu amigo, não precisa da base porque a eleição é na chapa única. Algumas correntes mais zelosas, como a dos metalúrgicos, mesmo condicionadas à chapa única, tentaram renovar a diretoria. Não conseguiram renovar além de 40%, quando pretendiam renovar 80%.

Esse é um momento de crise. Sobretudo por conseguir quóruns baxissímos nas suas eleições. Não há competição, não há alternância de poder. É o marasmo que toma conta da vida sindical (estou sempre tratando de Espírito Santo). Vem o desinteresse da base. Não há discussão nos sindicatos e por ocasião das datas-base a diretoria negocia longe da base.

Neste contexto, é o patronato quem realmente leva vanatagem. O reflexo dessa conjuntura está no vertiginoso avanço da terceirização da mão-de-obra. Que á grande ameaça à sobrevivência do trabalhador capixaba. Empresas milionárias, do porte de uma Aracruz Celulose, Vale do Rio Doce, CST, Belgo, Samarco, usam e abusam da tercerização.

Eu não sei até quando esse estado de coisas no sindicato vai durar. Essa situação se reflete até na reforma sindical. Faço parte de uma geração que passou mais da metade da vida sindical lutando pela reforma sindical. Quando chega à presidência da República um dirigente sindical e propõe a reforma sindical, os dirigentes sindicais correm dela. Correm porque entra em jogo o seu controle sobre os sindicatos. E aí é aquela: Mateus, primeiro os teus.