ONGs e cidadãos interessados na questão ambiental terão oportunidade de expor suas preocupações quanto à poluição na Grande Vitória em audiência pública na Assembléia Legislativa, na próxima segunda-feira (12), convocada para debater as obras de expansão de duas das maiores poluidoras do Estado, as companhias Vale do Rio Doce (CVRD) e Siderúrgica de Tubarão (CST).
Será um embate duro para os que sofrem os efeitos da poluição, pois técnicos das duas empresas terão espaço para explicar as propostas de expansão que certamente vão agravar o problema. Esperamos que haja igualdade de tempo e espaço para as partes em litígio, pois há o temor de que a Comissão de Meio Ambiente ceda às pressões das empresas e coloque seus representantes na mesa que vai dirigir os trabalhos.
Isto de forma alguma pode ocorrer. Será um privilégio absurdo e inconcebívei no contexto de um debate democrático. Se os deputados ousarem disponibilizar um espaço privilegiado aos poluidores, como se teme, será o caso de a idéia ser rejeitada pelos demais participantes.
A Associação Capixaba de Proteção aao Meio Ambiente (Acapema) considera a audiência uma boa oportunidade para a população que tanto reclama do pó preto no ar divulgar suas experiências pessoais. A entidade acha que essas manifestações devem influenciar na decisão final sobre a expansão dos projetos.
Será bom se isso de fato acontecer. A expansão pretendida pelas duas empresas é altamente prejudicial à população, pois não há comprovação do que elas vêm afirmando quanto ao volume de poluentes despejados na atmosfera.
Ao contrário: se com a atual produção o pó de minério jogado no ar já causa tanto mal, como esperar que o aumento da produção mantenha os atuais níveis?
É controvérsia que só pesquisas sérias poderão esclarecer. E nesse rumo é que devem fluir os debates. Concessão de licenciamento só mesmo depois de concluídos tais estudos.
Antes, com base apenas em argumentos falaciosos dos poluidores, nem pensar.
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