Já ganhou uma pinóia




Geraldo Hasse

Tal como Lula no Brasil, a Seleção está na Alemanha em ritmo de "já ganhou". Faltam, porém, quatro meses para Lula ser reeleito de fato e a Seleção precisa disputar sete jogos, num total de 630 minutos, podendo perder apenas um dos três primeiros jogos.

Falam em jogo fácil, mas tanto para Lula quanto para a Seleção o desafio vai muito além de seguir as regras do esporte. Ambos precisam vencer o favoritismo, as pesquisas de opinião, o fervor das torcidas contrárias, o facciosismo dos juízes e a euforia da mídia brasileira, embalada pelas campanhas "nacionalistas" dos anunciantes.

Restam ainda três ou quatro adversários: a auto-suficiência do técnico, a soberba dos jogadores, o já ganhou da torcida brasileira e a velha malandragem dos neoliberais, o que incluirá provavelmente um arsenal de expedientes solertes para minar nossas forças. Convenhamos, esse oba-oba antes da Copa é coisa para nos estressar.

Fica por último, com peso mínimo, o que normalmente seria o mais importante e decisivo: temos time para ganhar a Copa?

Teoricamente sim, na prática há controvérsias.

Não há dúvida, estamos bem de atacantes, mas nossa defesa é mais envelhecida e furada que um queijo suíço.

Estou falando da Seleção, mas vale o mesmo para o governo Lula.

Aparentemente, bastaria os adversários organizarem-se de forma competente para equilibrar o jogo e ganhar a partida.

Não se pode subestimar os adversários. Eles são muitos e representam interesses muito poderosos.

Se se unirem, adeus Copa, PT saudações.


ghasse@th.com.br