Ambição desmedida





Rogério Medeiros

As principais lideranças do PT não tiveram condições de impor o desejo das suas bases de candidatura própria ao governo do Estado, neste seu encontro de fim-de-semana. Renderam-se à desmedida ambição do prefeito de Vitória, João Coser, de entregar a legenda ao governador Paulo Hartung para as eleições de outubro, na expectativa de futuros apoios à sua reeleição na prefeitura e de uma candidatura ao governo do Estado lá pelo ano 2010.

O encontro mostrou também um Coser diferente daquele acostumado a submeter-se às decisões do partido. Dispondo do posto mais alto no Estado, depois do governo do Estado, que é a prefeitura de Vitória, ele decidiu ali o seu destino, o de atrelar o seu projeto político ao do governador Paulo Hartung. De goela abaixo no partido, já que a base desejava candidatura própria ao governo como saída para sua notória incompatibilidade política com o governador Paulo Hartung.

O resultado do encontro não chega a ser um estupro político, mas foi um processo de dispersão política. Morte ao basismo do PT no Espírito Santo. Ao lado de Coser, os prefeitos deram direção ao encontro. A base perdeu o rumo. Bem que o presidente da Câmara de Vereadores de Vitória, Alexandre Passos, líder da DS (Democracia Socialista), corrente trotskista, tentou evitar. Mas foi em vão.

O PT vai, para essa eleição de outubro, desfigurado, sem rumo, com o propósito único de reeleger presidente Lula e defender alguns mandatos legislativos. Entre eles o da deputada federal Iriny Lopes, que, no auge da imposição de Coser, inclusive, chegou a pensar em não disputar sua reeleição para a Câmara dos Deputados. O próprio Alexandre Passos, que à frente da Câmara de Vitória zela pelas vontades de Coser, muitas das quais impróprias, também sentiu-se mal com a condução que Coser deu ao processo.

Por outro lado, mais uma vez ocorre o que está se tornando habitual: PH leva vantagem mais uma vez. E esse triunfo agora é digno de ser festejado. É a conquista do PT. Para PH, PT com ele é a própria imagem da esquerda o apoiando. É uma espécie de volta às origens, muito embora a fórmula se deu, mais uma vez, na base da sedução política. Dessa vez, sobre o deslumbramento de um petista que se enamorou perdidamente pelo poder: João Coser.


Fragmentos
1 - No encontro do PT também muitas criticas à condução do processo pelo presidente do partido e pré-candidato ao governo, deputado Cláudio Vereza. Em nenhum momento ampliou as discussões com outras áreas partidárias. Limitou-se a reagir à ida do partido para o apoio à reeleição de Paulo Hartung.

2 - Deixou que o presidente do PSB e candidato ao Senado, Renato Casgrande, tomasse a frente das negociações e levasse adiante o seu projeto de obter o apoio à sua candidatura do governador Paulo Hartung levando o PT junto. Vereza não atendeu aos acenos do outro candidato ao governo, como o do Sérgio Vidigal (PDT).

3 - Outro ponto que pesa contra o desempenho de Vereza é que ele, efetivamente, não colocou a sua candidatura como devia. Em discussão com os demais partidos de esquerda, mostrando-se sempre incapaz de desarmar as manobras do seu colega de partido, João Coser. Deixou passar para os demais partidos, como também para a base do seu partido, que sua candidatura havia morrido no nascedouro, apesar do ardente desejo em contrário das bases.