Vitória (ES), edição de 12 de junho de 2006
 
Vítimas da Aracruz Celulose se
unem contra propaganda enganosa

Ubervalter Coimbra

Os quilombolas, pequenos agricultores e índios capixabas vão se unir contra a propaganda enganosa da Aracruz Celulose que está sendo veiculada na mídia pela empresa. Suas lideranças afirmam que a peça publicitária, que vai ao ar em horário nobre e entre os jogos da Copa do Mundo, esconde as agressões praticadas pela empresa às etnias e ao ambiente.

Seis personalidades fazem propaganda para a Aracruz Celulose: Pelé, o técnico Bernardinho, a ginasta Daiane dos Santos, o boxeador Popó, o cantor Seu Jorge, e o astronauta Marcos Pontes. Eles mostram suas competências com a bola ou com ela se deixaram fotografar. E a empresa procura se vender: "Fazendo um bonito papel no mundo inteiro".

Segundo Domingos Firmiano dos Santos, liderança quilombola de Sapê do Norte, é preciso apenas que os quilombolas, índios e pequenos produtores discutam os termos do manifesto. "Topamos na hora", diz Domingos, para quem é inaceitável que negros com fama internacional ajudem a vender a imagem da Aracruz Celulose, empresa que tomou os territórios dos descendentes de escravos no norte capixaba.

Desta forma, se manifestar a Pelé, Seu Jorge e Daiane dos Santos é uma obrigação dos quilombolas, entende Domingos Firmiano dos Santos.

Valmir Noventa, um dos coordenadores do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) no Espírito Santo, lembrou que a Aracruz Celulose sempre utiliza de todas as formas para conquistar a opinião pública. Não estranha que, agora, ofereça a imagem de pessoas conhecidas no mundo inteiro, como Pelé, Popó e Daiane dos Santos para fazer sua propaganda em plena Copa do Mundo.

"É preciso mostrar para o mundo que a Aracruz Celulose é uma empresa criminosa: não respeita as pessoas, destrói o meio ambiente. E as pessoas que fazem a propaganda deviam conhecer a empresa antes de vender a imagem dela", afirma Valmir Noventa. Também disse ser favorável à produção de um texto a ser mandado para Pelé, Bernardinho, Daiane dos Santos, Popó, Seu Jorge, e o astronauta Marcos Pontes, discutido e veiculado por quilombolas, índios e pequenos produtores rurais.

Paulo Oliveira, liderança Tupinikim, que esteve na Europa informando sobre os danos provocados pela Aracruz Celulose, não tem dúvidas de que a campanha de propaganda da empresa foi uma resposta, embora falsa, às denúncias que os índios fizeram na Europa. Os índios informaram em vários fóruns que a empresa não só destruiu cerca de 50 mil hectares de mata atlântica para plantar eucalipto, como tomou terras dos índios, quilombolas e camponeses.

A empresa ocupou 40 mil hectares de terras indígenas no Espírito Santo, dos quais o governo federal reconhece como sendo dos índios 18.070 hectares. Mas falta demarcar oficialmente 11.009 hectares, que a Aracruz Celulose insiste em dizer que são seus. Do território quilombola a empresa se apossou de cerca de 50 mil hectares.

O texto a ser destinado aos que participam da peça de propaganda da Aracruz Celulose poderá ser realizado junto à Rede Alerta Contra o Deserto Verde ou outras organizações, ainda esta semana. A propaganda foi feita pela W/Brasil, empresa do propagandista Washington Olivetto.


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