"Existem muitos roteiros. Cada qual adequado a uma situação diferente."
(Sócrates)
Para o entrevistado desta semana, as eleições deste ano começam a apresentar bons nomes para a disputa. Mas o vereador e presidente da Câmara Municipal de Vitória, Alexandre Passos, avisa logo: vai ser uma disputa difícil. Após ser acolhido pela população da Capital com uma votação expressiva, ele foi direcionado para outro ideal: ser candidato a deputado estadual em 2006.
Nesta entrevista, Passos avalia a retirada estratégica do deputado Cláudio Vereza do cenário de disputa ao governo. A "mudança de foco", expressão que o próprio vereador sugere, vai para a formação de uma chapa para as proporcionais.
O presidente da Câmara deixa o leitor-eleitor com uma pergunta no ar: será uma mexida nas peças do tabuleiro para 2010, tendo à frente o nome do prefeito de Vitória, João Carlos Coser? Alexandre Passos não pergunta, propriamente, nem Século Diário, claramente.
O vereador, no entanto, deixa espaço para que o leitor pense no futuro do PT no Estado do Espírito Santo. Por enquanto, um futuro traçado, dentre outras metas, para apoiar a pré-candidatura do governador Paulo Hartung (PMDB) à reeleição, o deputado federal Renato Casagrande (PSB) ao Senado e a reeleição do presidente Lula. Sobre este último, elogios não foram economizados.
Século Diário: - Como é que o senhor está avaliando o cenário político que se apresenta para as eleições deste ano?
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Foto: Rodrigo Melo
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Alexandre Passos: - No Estado, o quadro que se apresenta é o de que teremos bons candidatos ao governo. Um deles é o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e a candidatura do governador que vai ter o apoio da maioria dos partidos do Espírito Santo. Setores ligados ao PSDB, ao PFL..., com o apoio dos partidos PT e PSB. Então, o quadro que está se apresentando é esse. Nós fizemos uma convenção, um encontro, no último dia 10, no Cefet, onde o partido remeteu ao Diretório Estadual a decisão sobre política de aliança, de aliar-se, mas me parece que o quadro de alianças está mais ou menos definido, que é o quadro de apoio à candidatura do governador Paulo Hartung.
- Com relação ao PT, o partido havia construído um nome para a disputa...
- É. A candidatura do Cláudio (Vereza) vinha se construindo com base no apoio de alguns partidos, como o PCdoB, PL, PSB... Então, só teria condições de se sustentar a partir do momento da coligação. Os partidos optaram, no debate interno, em ter como governador do Estado o governador Paulo Hartung. Como candidato a senador, o atual deputado federal Renato Casagrande. É um quadro, na avaliação do partido, só do PT, que seria ruim para o partido, inclusive seria ruim para a própria candidatura, de eleger candidatos que fossem base de sustentação para o governo Lula, como os candidatos a deputados federais. O impedimento do partido é que o melhor caminho é seguir, é manter essa coligação, com esses partidos. Além do PT, PSB, PL e PCdoB, há outros partidos que estão se agregando a essas alianças. São partidos aliados, nacionalmente, ao governo Lula.
- O senhor era a favor da candidatura própria?
- Olha, nós fizemos um debate interno. Dentro do PT, o sentimento de todos era a favor da candidatura própria. Todos eram a favor. O que os diferenciava era que a candidatura própria mantendo só o nome do deputado Cláudio Vereza era insuficiente. Foi unânime a decisão. Todos nós achamos isso. A discussão era essa. Por enquanto, seria insuficiente, para este ano. Nós havíamos feito um encontro, anteriormente a essa decisão, há uns três meses, e logicamente a decisão foi a candidatura própria. Isso foi unanimidade dentro do partido. Mas ela não se mobilizou por falta de apoio político, dos que fazem a base de sustentação do partido. Também partidos aliados ao PT na proporcional, que achavam e acham é que mais importante fazer uma aliança com o governador Paulo Hartung, na candidatura majoritária.
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Foto: Rodrigo Melo
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- Mas parece que no PT havia uma dissidência nas opiniões, não?
- A maioria era a favor da candidatura própria, desde que se mantivesse essa base de sustentação de partidos, como PSB, PCdoB, PL e outros partidos. Isso não quis dizer que não vamos tentar candidatura própria outras vezes, em outras eleições. Mas, agora, para este ano, o partido decidiu que vai apoiar o governador Paulo Hartung.