Acolho a carta do Sindialimentação, transcrevo-a na íntegra, mas ela não tira o que dissemos sobre a posição do sindicato por ocasião da venda da Garoto à Nestle. Eu fico com os meus comentários, em que deixei claro que o sindicato se comportou bem no segundo momento. Ocasião em que conseguiu, junto à Justiça, impedir a venda fatiada da Garoto.
Agora, quando àquilo que afirmei - que no primeiro momento o sindicato foi favorável à venda da empresa - é só recorrer à mídia da época. Inclusive, naquela oportunidade, aos próprios movimentos de massa promovidos pelo Sindialimentação. Mas abaixo vai a integra do sindicato, já que a discussão foi colocada num bom o e respeitoso nível. O que é saudável. O leitor que julgue:
"Em relação a afirmações contidas no texto "Nova ordem sindical", veiculada por esse Século Diário, a diretoria do Sindialimentação solicita a veiculação dos esclarecimentos abaixo:
A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação orgulha-se de sua história coerente de lutas pelos direitos dos trabalhadores. Nos últimos 20 anos, ampliamos a qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente os da Chocolates Garoto, mas sempre atentos aos interesses mais amplos da classe trabalhadora.
Por isso, pensando na importância da empresa para a economia capixaba, sempre fomos contra a venda da empresa e a submissão aos interesses de qualquer empresa multinacional, mas, infelizmente, não tivemos como evitar que os acionistas da Garoto vendessem a empresa.
Confirmada a venda a uma multinacional, a posição coerente do sindicato foi defender os postos de trabalho no Espírito Santo. Com esse propósito acionamos nosso departamento jurídico para evitar a fragmentação da empresa, fato que inviabilizaria a Garoto de continuar funcionando normalmente.
Na verdade, fomos muito pressionados para nos posicionarmos a favor de uma ou de outra empresa, como se uma multinacional fosse melhor do que outra. Coerentes, mantivemos nossa opção, firme e determinada, de defendermos a continuação do funcionamento da empresa no Espírito Santo e os empregos de todos os trabalhadores, independente da multinacional que estivesse na administração da Garoto.
Diferentemente do que afirma o texto "Nova ordem sindical", enfatizamos que nosso Sindicato está longe de se limitar "à dependência do poder normativo da Justiça". Temos muitos exemplos disso, mas certamente basta citar um: a conquista, na Garoto, de uma jornada de 40 horas semanais, uma bandeira de luta no Brasil inteiro, demonstra que o Sindialimentação vai além do que prevê a legislação trabalhista, procurando, com sua luta, apesar de localizada, colaborar com o movimento geral dos trabalhadores.
A Diretoria do Sindialimentação"
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