As lideranças de cinco comunidades afetadas pelo pó de minério que a Vale lança diuturnamente na atmosfera fizeram o que delas se esperava: foram ao Ministério Público do Estado (MPES) para solicitar a intervenção do órgão na questão do licenciamento da oitava usina de pelotização da empresa.
As comunidades, isoladamente, não teriam força para barrar mais esta agressão de uma contumaz poluidora do meio ambiente. Mas, sem elas, pouco poderia fazer o MPES.
Agora, de posse do requerimento das lideranças comunitárias, os promotores que fiscalizam a aplicaçãoo das leis ambientais no Estado dispõem de todos os elementos capazes de sensibilizar o Judiciário e o poder público em geral a agir em defesa das milhares de pessoas que respiram o ar envenenado da Grande Vitória.
Afinal, são elas, as comunidades, que sofrem os efeitos desse tipo de poluição. E como sofrem!
Calcula-se que 1,8% da população da Grande Vitória são obrigadas a recorrer aos postos médicos por sofrerem com doenças causadas pela poluição. A informação faz parte da documentação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Poluição), da Assembléia Legislativa, que levantou alguns dos mais sérios problemas da poluição no Estado. Toda a documentação da CPI foi inexplicavelmente engavetada em 1996.
A CPI apontou a localização das empresas poluidoras, no Complexo de Tubarão e no Planalto Serrano, como imprópria, devido à predominância dos ventos.
Basicamente, as comunidades pedem o apoio do MPES para a que seja definido um parâmetro para o problema, o que forçará a Vale a fazer o que sistematicamente vem se recusando a fazer, ou seja, investir em equipamentos que impeçam a liberação do venenoso pó no ar da região.
Um dos líderes do movimento contra o licenciamento da nova usina, Paulo Esteves, que representa a Associação de Moradores da Ilha do Frade, vem acompanhando as audiências públicas para discutir o problema. Ele lembra que as pessoas ficam presas dentro de suas próprias casas por causa do pó preto gerado pela poluidora.
Na última audiência pública, realizada em 12 de junho na Assembléia Legislativa, Paulo Esteves informou que já não pode abrir a janela de sua própria casa, a não ser quando o vento está sul. Ele é obrigado a pintar sua casa uma vez por ano devido à poeira lançada pela CVRD.
Em seu depoimento, Paulo Esteves resumiu o que sentem todas as comunidades afetadas pelo pó venenoso das poluidoras: medo e revolta.
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