As empresas que degradam o meio ambiente com os plantios de eucalipto, os governos que as bajulam e, até os "cientistas" que os defendem, terão que botar as barbas de molho com decisão da juíza federal Clarides Rahmeier, da Vara Ambiental de Porto Alegre: nas publicidades, não poderão mostrar apenas o lado positivo destes plantios.
A decisão da juíza é inédita e foi tomada em Ação Civil Pública promovida pelo Núcleo Amigos da Terra Brasil e a União Pela Vida, entidades ambientalistas sediadas em Porto Alegre. Argumentaram as ONGs que a propaganda firma a convicção de que somente existem vantagens nesse tipo de monocultura, o que não é correto.
Na decisão, a juíza Clarides Rahmeier determina que a Agência de Fomento/RS, a Caixa Estadual S.A., o Estado do Rio Grande do Sul e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terão que suspender a circulação de qualquer propaganda onde o apelo publicitário seja a mensagem estritamente positiva do plantio de monoculturas de árvores. O Estado deverá também viabilizar a contra-propaganda ao que já divulgaram, através de peças aprovadas pela magistrada.
Embasou a decisão da juíza o reconhecimento de há polêmica no entendimento técnico-científico sobre o plantio de eucalipto, pínus e acácia negra.
A decisão da Justiça Federal gaúcha é extraordinariamente importante para o Espírito Santo. Pois vale para o nosso Estado, onde a Aracruz Celulose principalmente, e o governo do Estado, suplementarmente, divulgam que os plantios de eucalipto são a salvação da lavoura.
Mas tais monoculturas não são o que eles dizem: degradam o meio ambiente (destroem a biodiversidade e, os agrotóxicos utilizados contaminam e matam gente: depositados no solo, na água e nas plantas matam animais e plantas por longos períodos).
E, são desgraça social (os principais prejudicados são os quilombolas, os índios e os pequenos proprietários, que tiveram suas terras tomadas pela Aracruz Celulose e, a quase totalidade deles, sequer pode produzir alimentos para subsistência, quanto mais para colocar na mesa do brasileiro).
E, ainda, as monoculturas nada rendem para o Brasil: os lucros vão para o exterior.
Em que pese os malefícios para amplos setores da sociedade e para o meio ambiente, as empresas que produzem celulose querem ampliar os plantios no País de 5 para 11 milhões de hectares. Contam com o aval dos governos da União e de diversos estados, como do Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Mas, felizmente, com a decisão da Justiça Federal gaúcha, os malefícios destas monoculturas terão agora que ser apontados nas peças de propaganda das empresas.
E se espera que não mais façam corações e mentes!
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