Vitória (ES), edição de 19 de junho de 2006

Federais ameaçam paralisar suas
atividades nesta quarta-feira



Paulo Rogério


"Fora o trabalho de custódia dos presos e a segurança da instituição, nossa intenção é de parar tudo na quarta-feira (21)", afirmou o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado (Sinpef-ES), Paulo Roberto Poloni. Eles vinham negociando há mais de um ano com o governo federal, e decidiram reaizar assembléia na sede da corporação, em São Torquato, Vila Velha (foto), nesta terça-feira (20).

O movimento de paralisação por 24 horas é organizado nacionalmente. Mesmo com o clima de insegurança instalado no Espírito Santo, com os atos de terrorismo cometidos contra 15 coletivos neste ano (sendo que os últimos quatro ataques ocorreram em menos de uma semana) e com três rebeliões en oresídios em um intervalo de quatro dias, o presidente da Sinpef comentou que a há fortes sinais de insatisfação da categoria no Estado.

Os policiais federais reivindicam o estabelecimento de um Plano de Cargos e Salários (PCS), orçamento compatível com as atribuições dos servidores e aumento das diárias de deslocamento de agentes.

"O problema das diárias é um dos que mais incomodam a maioria dos policiais. Nós recebemos uma diária que varia de R$ 60,00 a R$ 120,00, dependendo do local para onde somos deslocados. O problema é que quando saímos em missão para outro lugar, às vezes até fora do Estado, gastamos algo que varia de R$ 250,00 ou R$ 300,00, por dia, com hospedagem, deslocamento e alimentação. Ou seja, muito do que gastamos com missões sai de nossos bolsos", explicou.

Os policiais federais reivindicam também mais logística de trabalho, e renovação em insumos básicos como armamento, coletes à prova de balas, além de mais munição.

"Se iniciarmos uma paralisação na quarta-feira estarão prejudicados os serviços de emissão de passaportes, as operações, investigações fiscalizações institucionais e audiências de inquéritos (cerca de 80 por dia). Fora o trabalho de custódia dos presos e a segurança da instituição, nossa intenção é de parar tudo na quarta-feira", garantiu Poloni.

Os capixabas contam com o trabalho de 250 servidores federais, entre agentes, papiloscopistas, escrivães e delegados. Poloni lembrou que no ano passado a adesão ao movimento foi de 100% entre os servidores efetivos. A assembléia da categoria será às 17h na Superintendência da PF.

O projeto de restruturação dos policiais federais está parado na Casa Civil, em Brasília, há mais de um ano. Paulo Roberto Poloni comentou que no caso da ministra-chefe, Dilma Rousseff, tomar alguma iniciativa nesta terça o movimento pode ser suspenso. "Está tudo nas mãos do governo federal. E se ocorrer mesmo esta pode ser apenas a primeira de uma série de paralisações", alertou.