A escolha que o ex-governador Max Mauro(PDT) fizer, entre candidatar-se ao Senado ou a deputado federal, vai influenciar, e como, as eleições para o governo do Estado, sobretudo nas possibilidades eleitorais do candidato ao governo do seu partido, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal.
Candidato ao Senado, ele teria espaços e palanques para exercitar o que mais sabe fazer: flechar os adversários. No caso seriam os próprios adversários para o Senado e, por extensão, o governador Paulo Hartung. Previsão feita com base na potência de sua voz. Uma voz que sempre ecoou muito bem Estado afora.
Reconheça-se, portanto: não é uma voz qualquer. Pelo contrário. É uma voz que o povo capixaba se acostumou a ouvir com enorme atenção. Basta recordar as últimas eleições para o governo do Estado. Elas permitiram que ele desse um suadouro danado no governador Paulo Hartung. Naquela eleição, da mesma forma agora, os prefeitos estavam com o governador Paulo Hartung. E havia também um enorme cerco político em torno do Max.
Na circunstância atual, em que falta uma voz oposicionista no Estado, soltá-lo na arena dessa eleição, então, representa, na prática, instalar a oposição que o governo não teve até agora, embora passados praticamente três anos de seu período. O governador Paulo Hartung já experimentou um Max Mauro solto pelo Estado de microfone na mão. Sabe muito bem o que isso causa.
Mas o governador Paulo Hartung só estará livre dele caso sua preferência recaia numa disputa para a Câmara dos Deputados. Decisão que teria, no entanto, imenso efeito colateral. Impediria, de saída, que o PP, do deputado Nilton Baiano, coligasse com o PDT. Pois Max, candidato a deputado federal, colocaria a reeleição de Nilton, numa coligação com o PDT, sob ameaça. E o PP representa três preciosos minutos de TV para a candidatura de Sérgio Vidigal ao governo.
Pelo que foi dito, só Max salva ou atrapalha a candidatura de Sérgio Vidigal ao governo. Daí não se poder desligar a decisão eleitoral dele do contexto eleitoral do Estado. É ela que vai esquentar ou esfriar as eleições de outubro. Assim sendo, por ora, ele ainda está nos sonhos do governador Paulo Hartung e do Sérgio Vidigal: fantasma para um e anjo para o outro.
Fragmentos
1 - O deputado federal Marcus Vicente, do PTB, surpreendeu-se com a repercussão do último programa de TV do seu partido, em que abordou a poluição na Grande Vitória. Os e-mails que recebe cresceram, os telefonemas dispararam e os cumprimentos de rua vieram em profusão.
2 - Deputado de três mandatos, deu para ele avaliar a ausência, praticamente total, da classe política na questão ambiental do Estado. Um setor da vida da população que não está presente nos palanques, nas tribunas dos parlamentos, negligenciando com o setor que atinge a saúde da população da Grande Vitória, onde grandes empresas, como a Vale do Rio Doce, CST e Belgo Mineira, poluem livremente.
3 - O que se passa agora com o deputado Marcus Vicente se passaria também com outro qualquer detentor de cargo eletivo. Bastaria que fizesse o mesmo que ele fez no seu programa de TV. Apesar do espanto do deputado do PTB, ele deveria ser informado que o seu partido foi o primeiro a dedicar um programa inteiro à questão do meio ambiente. Prova cabal da cumplicidade da classe política com os grandes poluidores.
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